Título: 'QI' em nova roupagem
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 19/06/2005, Economia & Negócios, p. A17
Para o professor de Marketing Carlos Alberto Julio, da HSM, empresa de formação executiva, quem indica também faz seu networking.
- Afinal, seu colega indicado pode fazer o mesmo por você. Mas, para manter essas redes, não vale ligar para o amigo só quando está desempregado. Com o interesse evidente, pega mal.
Um dos apadrinhados de Júlio, Romeo Busarello foi seu aluno e já obteve por seu intermédio três empregos, em 22 anos de amizade. Segundo o padrinho, o dono da empresa onde o afilhado trabalha não cansa de agradecer a indicação para a direção de marketing, há quatro anos. Romeu, por sua vez, transformou o filho do ex-professor em estagiário.
- As pessoas são o que são pelos livros que lêem e as pessoas que conhecem - diz Romeo, assegurando que o filho do professor é tão bom que será contratado.
- Antes, o que determinava o sucesso era o know how. Hoje, é o know who.O QI voltou, mas de forma diferente. Indicação não significa contratação. O QI à antiga existe hoje apenas nas empresas familiares - completa Julio.
Há, porém, empresas familiares dispostas a evitar que a indicação herdada gere desconfiança nos que não contam com o parente para obter um emprego muitas vezes vitalício. A centenária rede Droga Raia acaba de receber a quarta geração, com quatro jovens profissionais em cargos de direção.
- Nossa chegada ocorre num momento de expansão, e nossos cargos se tornaram necessários. Fizemos estágio de um ano e, depois, nos especializamos no exterior. E ainda passamos por outras empresas - relata Cristiana Pipponzi, diretora de marketing, sem ligar para possíveis críticas de nepotismo. - O processo sucessório está em curso há dez anos. A expansão mostra que somos mais do que parentes.
A importância dos contatos cresceu tanto que já há empresas dispostas a ensinar o caminho mais curto para as oportunidades. A Contatos Br criou grupos destinados a aproximar executivos e empreendedores. O pacote , com direito a participação de 30 fóruns virtuais e encontros ao vivo, custa R$ 120 anuais.
- O networking depende da habilidade de cada pessoa e da disponibilidade de tempo. Quero dar ferramentas para que tais fatores não sejam empecilhos para quem não dispõe deles, ao aproximar profissionais com interesses afins - explica Lion Andreassa, sócio-diretor da Contatos Br.