Título: Quem tem padrinho... tem vaga
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 19/06/2005, Economia & Negócios, p. A17

Pesquisa do Grupo Catho revela quO velho hábito do apadrinhamento profissional está mais forte do que nunca. A prática, notória no meio político, ganha força também no setor privado, tendo sido o caminho de 48% dos profissionais que conseguiram um emprego nos últimos 12 meses, conforme pesquisa do Grupo Catho. Se o setor público legitima o comportamento - a julgar por decisão recente da Assembléia Legislativa do Rio, que aprovou cotas para contratação de parentes -, o setor privado não só aprova como busca incentivar o principal mecanismo que permite uma indicação: a rede de contatos ou, como preferem os profissionais de recursos humanos, o networking.

E os profissionais têm aprendido tão bem a cultivar suas relações que a indicação superou com folga outras formas de descoberta das melhores oportunidades. A internet foi o instrumento utilizado por 11,7% dos contratados no último ano. Anúncios foram decisivos em 7,17% dos casos. Em pesquisa semelhante feita em 2002, o QI (sigla original de Quociente Intelectual popularizada no passado como Quem Indica, como crítica ferina aos atributos dos apadrinhados) era o caminho de 38% dos que conquistaram novos empregos.

- A indicação perdeu o tom pejorativo. O mercado sabe avaliar essas indicações, que são o melhor caminho até os profissionais mais aptos. E quem indica confia no potencial do indicado - diz Robson Santarém, da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

O consultor tributário Roberto Zambianchi, de 29 anos, chegou à Schlumber Ger, multinacional do setor de petróleo, através de indicação de um amigo de colégio. A vaga inicial, na verdade, era em outra empresa, mas Roberto não foi selecionado. A consultoria guardou seu currículo, que acabou desengavetado em outra oportunidade.

- Não vejo problemas na indicação, já que viram meu currículo e me entrevistaram, inclusive em inglês. A empresa tem um processo de seleção mais extenso para os profissionais técnicos. Mas, na minha área de atuação, um profissional puxa o outro. As grandes empresas preferem os indicados, porque têm uma referência - explica Zambianchi, que já levou outros dois profissionais para a empresa, também contratados após entrevistas.

- Devemos cuidar do networking mesmo quando se está satisfeito em seu trabalho atual. A indicação não toma lugar da seleção, mas complementa o processo - diz Jacqueline Resch, da Resch Recursos Humanos.

Para a vice-presidente da Catho, Silvana Case, todos devem criar seu networking desde a infância. O McDonald's chega próximo disso, incentivando os 22 mil atendentes - na maioria, jovens no primeiro emprego - a indicar colegas, o que preenche metade das vagas.

- Os indicados trazem as competências que buscamos. Queremos ensinar aos nossos funcionários como é importante ter contatos. Por serem muito jovens, eles não têm essa consciência - explica Márcia Costa, diretora de RH da rede.

e indicações foram responsáveis por 48% das contratações no setor privado no último ano.