Título: BC indica que juros permanecerão altos
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 24/06/2005, Economia & Negócios, p. A19

BRASÍLIA - A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem, sinalizou que os juros devem permanecer altos por algum tempo. No documento, o comitê avalia que é necessário manter a taxa nos atuais 19,75% ''por um período suficientemente longo de tempo''. Na ata, o Copom comemora o fato de o ciclo de aumentos da Selic - iniciado em setembro de 2004 e interrompido na última reunião - já ter se refletido na inflação dos primeiros meses deste ano. ''A atividade econômica deverá continuar em expansão, mas a um ritmo menor e mais condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões sobre a inflação'', diz o documento. Foi o suficiente para o tempo fechar no setor produtivo, que dá como certa a retração da economia e sustenta que o estrago é inevitável com a manutenção dos juros altos e da meta de inflação em 4,5%.

Para a Fiesp, o Copom deixou claro que acredita ''no equivocado diagnóstico de que a atividade econômica deverá continuar em expansão, mas a um ritmo menor. Não há crescimento nenhum'', afirmou em nota o presidente da entidade, Paulo Skaf.

Na decisão de manter a Selic no atual patamar, o Copom considerou ainda a redução na projeção de mercado para inflação. No último Relatório de Mercado do Banco Central (BC), a expectativa para o índice oficial de inflação caiu de 6,4% para 6,16% e as expectativas para 2006 permanecem estáveis. ''Esses desenvolvimentos sugerem que a postura monetária adotada, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, está contribuindo de forma importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos'', diz.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgado pelo IBGE, confirmou a tendência de recuo dos preços: subiu só 0,12% em junho, contra 0,83% em maio. É a menor taxa desde julho de 2003.

A ata informa ainda que a trajetória dos preços do petróleo continua incerta, mas evitou prever alta nos combustíveis. ''No que diz respeito ao impacto dos preços internacionais sobre os preços domésticos, ainda que as elevações recentes não se traduzam em aumento no preço da gasolina, elas continuam representando um fator de risco para a trajetória futura da inflação por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos derivados do petróleo''.