Título: Preço do petróleo encosta em US$ 60
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/06/2005, Economia & Negócios, p. A21
O preço do petróleo atingiu ontem seu maior valor nos últimos 22 anos. O barril do produto cru encerrou os negócios a US$ 59,42 em Nova York, alta de 1,3% em relação ao fechamento anterior. Durante o dia, a cotação chegou a atingir a marca de US$ 60 no contrato mais negociado - atualmente, aqueles com entrega prevista para agosto - pela primeira vez desde o começo da negociação do contrato na Bolsa de Nova York, em 1983. A nova alta foi causada pela preocupação dos investidores com a continuação do crescimento da demanda.
O temor é que, com a demanda média por petróleo em cerca de 84 milhões de barris por dia em 2005, não haja capacidade excedente de produção suficiente para garantir a oferta em caso de uma interrupção da produção. A capacidade excedente no mundo é de cerca de 1,5 milhão de barris, segundo estimativas. No ano, o petróleo já subiu cerca de 40%. Em relação a um ano atrás, os preços estão 58% mais altos.
Dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos mostraram ontem que a demanda por destilados (gasolina, diesel e combustível para aquecimento) está 7% acima da verificada um ano atrás, apesar dos preços altos.
Os dados reacenderam o temor de que as refinarias não dêem conta de atender à demanda no quarto trimestre, inverno no hemisfério Norte, quando cresce o consumo de óleo para aquecimento. O número insuficiente de refinarias anula os efeitos dos anúncios de aumento na produção feitos recentemente. Na semana passada, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), que atende 40% da demanda mundial, anunciou que incrementaria em 500 mil barris a produção diária de 29,4 milhões de barris por dia. O sinais de que a demanda nos EUA continua alta também têm levado investidores a comprar comprar petróleo, na expectativa de que o preço suba mais, puxando também a cotação.
- O que realmente está dando o tom no mercado são preocupações de longo prazo - diz Helen Henton, analista de commodities do banco Standard Chartered. - Mas a capacidade das refinarias são suficientes para manter os preços altos, mas talvez não colocá-los acima de US$ 60 por muito tempo.
O barril do tipo Brent, negociado em Londres, fechou a US$ 58,38, alta de 1,4%. A valorização afetou o mercado acionário dos Estados Unidos. O índice Dow Jones recuou 1,57%, e o Nasdaq, 1,02%. O movimento foi acompanhado com pessimismo no Brasil, com a Bovespa fechando a em queda de 3,36%, a maior baixa em mais de dois meses. Dos papéis que compõem o Ibovespa, apenas a ação preferencial da AmBev escapou, com alta de 0,82%.
O avanço do preço petróleo provocou um aumento de demanda por dólar no mercado interno e a moeda fechou em alta de 0,62%, a R$ 2,399.
Para Hélio Osaki, do Banco Rendimento, porém, apenas a crise política e uma atuação do Banco Central podem inverter a tendência de queda de forma definitiva.