Título: Investigações no Congresso prometem semana quente
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 26/06/2005, País, p. A4
BRASÍLIA - O grande acontecimento da semana na CPI do Correios é o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O parlamentar fluminense sentará na cadeira de interrogados da CPI sob a expectativa de que apresente provas concretas das denúncias que divulgou. O depoimento está marcado para quinta-feira, mas pode não acontecer, caso os outros seis interrogatórios previstos para esta semana durem mais do que o esperado. A oposição pressiona e diz que não vai deixar de ouvir o deputado fluminense, mesmo que as sessões se estendam pela madrugada.
A agenda das convocações foi negociada na sexta-feira passada. De acordo com a pauta de atividades da comissão, na terça serão ouvidos os arapongas Jairo Martins e Joel Santos Filho, reponsáveis pelo grampo dos Correios, e ainda do ex-militar reformado Arlindo Molina, acusado por Jefferson de tentar extorquir dinheiro para não divulgar a fita. Na quarta, serão ouvidos três ex-diretores dos Correios - de Operações, de Administração e de Tecnologia.
- Queremos ainda votar os requerimentos que pedem a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Maurício Marinho, de Artur Wascheck e de Antônio Velasco - afirmou Delcídio Amaral, presidente da CPI
Mas a votação de requerimentos mais polêmicos, que incluem pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do PT, e de seu tesoureiro Delúbio Soares, ficará para depois.
Na Corregedoria da Câmara, a semana também será agitada. Sem confirmar data para os interrogatórios, a secretaria da Casa já entregou convite de comparecimento a 17 parlamentares. Lá, os trabalhos são conduzidos em sessões sigilosas. A idéia é dar maior liberdade para que os convidados possam abrir o que sabem, e assim, ajudar nas investigações.
Já confirmaram presença na Corregedoria os deputados Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Miro Teixeira (PP-RJ), e a deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO). Estes dois últimos, já foram ouvidos pelo Conselho de Ética. Há ainda a possibilidade de que os membros da Corregedoria ouçam as declarações do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB).
A presença do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética da Câmara só deve acontecer depois do recesso parlamentar de julho. Na sexta-feira passada, a secretaria do conselho buscou a assessoria do parlamentar para confirmar o dia de seu depoimento. Segundo assessores, Dirceu não poderá comparecer durante a semana porque está ocupado com os trabalhos da base governista de aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Na terça-feira, o Conselho vai ouvir a ex-secretária do publicitário Marcos Valério, Fernanda Karina Ramos Somaggio, que afirmou ter visto seu ex-chefe negociando com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e com o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira. Somaggio diz também ter visto Valério falando ao telefone com o ex-ministro e deputado federal José Dirceu.
Está marcado para quarta-feira o depoimento do deputado Pedro Henry (PP-MT), um dos apontados por Jefferson como participante do mensalão. O deputado José Múcio (PTB-PE), também será ouvido, mas a data ainda não foi decidida.