Título: Policiais matam prefeito em blitz
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 25/06/2005, País, p. A6
NATAL - O prefeito do município de Grossos (a 325 quilômetros de Natal), João Dehon Neto da Costa (PPS), foi morto na noite de quinta-feira, por volta das 20h, numa blitz da Polícia Civil no município de Santa Maria (Região Metropolitana de Natal). Segundo a assessoria de imprensa de Santa Maria, a picape Hilux prata - onde o prefeito viajava com outras três pessoas , o motorista e dois funcionários municipais - não atendeu a uma ordem de parar em um bloqueio. Os policiais da Deprov (Delegacia de Defesa de Propriedade de Veículos e Cargas) abriram fogo contra o veículo.
O secretário de Segurança, Glauberto Bezerra, confirmou a participação de seis policiais no episódio, que foram afastados no fim da tarde ontem. Ele também pediu a prisão temporária dos acusados.
A prefeitura informou que a picape Ranger usada pelos policiais civis estava descaracterizada e que João Dehon, suspeitando se tratar de uma assalto, pediu para o motorista acelerar. O trecho da estrada é próximo à área urbana e perto de um posto de gasolina.
Não foram encontradas armas no veículo das vítimas. O prefeito e o motorista foram atingidos na cabeça e morreram na hora. O corpo do motorista foi levado para Minas Gerais, seu Estado natal.
O tesoureiro Magno Monteiro foi ferido na nuca e precisou ser submetido a uma cirurgia para retirada do projétil. Ontem, ele continuava em estado grave na UTI, mas já estava consciente.
O quarto ocupante da picape, o contador Francisco Canindé, levou um tiro no braço.
O prefeito havia viajado para Natal ontem para firmar um convênio para a construção de 200 casas populares com o escritório de representação do Ministério das Cidades na capital. Na quarta-feira, havia acertado os detalhes com o governo federal em Brasília.
Os policiais do Deprov estavam em uma operação para tentar prender uma quadrilha de roubo de carros, investigada há meses. O objetivo era recuperar uma picape Mitsubishi L200 que havia sido roubada pelo grupo na quinta-feira em Natal.
O delegado que coordenava a operação também foi afastado pelo secretário da Segurança. Ele não estava no local mas é considerado responsável pela equipe.
O secretário nomeou três delegados, que instauraram inquérito especial para apurar o caso. A investigação será acompanhada pela Corregedoria Geral da Polícia, Ouvidoria, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Ministério Público Estadual.