Título: Lula pede socorro ao PMDB
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/06/2005, País, p. A3

BRASÍLIA - Em almoço com as principais lideranças do PMDB no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou ontem o convite para que o partido aumente de forma ''substancial'' sua participação no governo. Pela projeção que povoa a mente de Lula, o quinhão do PMDB na Esplanada deverá passar de dois para quatro ministérios. Resta definir as pastas. O partido ambiciona o ministério das Cidades e Integração Nacional. Também ficaria satisfeito com o ministério da Saúde. Na reforma, além de ampliar o espaço do PMDB, Lula também decidiu contemplar o PP do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), no Ministério.

O anúncio da reforma ministerial, contudo, deve ser adiado por mais alguns dias. É que de acordo com o presidente do partido, deputado Michel Temer, o PMDB discutirá a proposta do presidente com mais calma, internamente. A iniciativa faz parte da estratégia do partido de negociar por cima sua entrada na Esplanada.

- Ele quer participação política, não é participação numérica. O que propõe, e nós sempre defendemos, é uma coalizão, que nunca foi possível - disse Michek Temer, acrescentando que uma aliança ainda mais forte independe da concessão de mais ministérios ao partido.

Temer considerou pouco provável uma resposta até terça-feira, data estabelecida inicialmente por Lula para conclusão da reforma. Mas Lula, que pediu celeridade ao presidente do PMDB, confidenciou a interlocutores que pretende resolver a questão até a próxima quarta.

Em almoço no Palácio do Planalto com os presidentes do partido, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o chefe do Executivo apresentou diferentes propostas aos peemedebistas com vistas a formar um governo de coalizão. Entre elas, o controle de mais pastas na Esplanada dos Ministérios. Em contrapartida, Lula pediu a adesão ''por inteiro'' do PMDB ao governo, incluindo o apoio da ala que hoje se mantém crítica ao governo.

- Quero contemplar todas as alas do partido - teria dito o presidente segundo um peemedebista.

No encontro, Lula acrescentou que precisava do PMDB para superar a crise. Na interpretação da cúpula do partido, o discurso soou como um pedido de socorro do presidente em meio à turbulência política no Congresso. Solícito, o PMDB deu a resposta que o presidente gostaria de ouvir: o partido se compromete a dar sustentação política ao governo e evitar que a CPI dos Correios se transforme em palanque eleitoral por iniciativa da oposição.

- Vamos procurar buscar a tranqüilidade - disse Temer.

Presente ao almoço, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), afirmou que os convivas não discutiram um eventual apoio do PMDB ao projeto de reeleição de Lula em 2006.

- O presidente Lula reiterou que o PMDB tem um papel fundamental na governabilidade do país, particularmente no desempenho das tarefas do Congresso, e convidou o partido para construir um governo de coalizão - declarou Mercadante.

Em São Paulo, o presidente nacional do PT, José Genoino, fez coro. Afirmou que seu partido não será obstáculo à intenção do presidente de construir um governo de coalizão com uma maior participação do PMDB.

- O PT não será obstáculo, pois o governo do presidente Lula tem de ser amplo para garantir as prioridades e projetos - disse.

Em conversas com interlocutores do PMDB e do PT, o presidente tem feito repetidos elogios ao desempenho de Romero Jucá (PMDB-RR), na Previdência Social, dando a entender que deseja mantê-lo, apesar de o ministro estar sendo investigado. Lula está valorizando mais a atuação do parlamentar para reduzir o déficit previdenciário.

O presidente também tem sido aconselhado a não mexer com o ministro do Turismo, em razão do seu bom desempenho na pasta, mas sobretudo para não tumultuar ainda mais a relação com o partido que tem 47 votos na Câmara.