Título: EUA recusam diálogo com a guerrilha
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Fonte: Jornal do Brasil, 28/06/2005, Internacional, p. A7
BOGOTÁ - Quase de forma simultânea a seus ataques que deixaram 28 militares colombianos mortos nas fronteiras com o Equador e a Venezuela, no fim de semana, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propuseram diálogo direto com os Estados Unidos.
- As Farc fizeram o Departamento de Estado tomar conhecimento de que estão dispostas a conversar sempre e quando esta proposição aparecer no jornal El Tiempo, de Bogotá - afirmou Raúl Reyes, em entrevista na televisão.
Washington, no entanto, recusou a oferta da guerrilha.
- Nossa política sobre fazer concessões a terroristas continua a mesma: não fazemos - decretou o porta-voz do Departamento de Estado, Seann McCormack.
Segundo o chefe insurgente, as Farc estão dispostas a dialogar com a Casa Branca sobre assuntos de interesse mútuo. Um deles é a liberação de reféns americanos incluídos na lista de prisioneiros que podem ser soltos em troca da libertação de 500 guerrilheiros presos.
- Vamos conversar sobre todos os temas que eles quiserem abordar, e que sejam igualmente do nosso interesse - afirmou Raúl Reyes.
A relação entre os Estados Unidos e as Farc, que Washington considera terrorista, está rompida desde 1999, quando os rebeldes mataram três indigenistas americanos, cujos corpos foram encontrados na fronteira com a Venezuela. O único contato direto antecedente entre o grupo e americanos remonta a dezembro de 1998, quando um alto funcionário do Departamento de Estado, Philip Chicola, se reuniu por dois dias na Costa Rica com representantes da guerrilha. Nos últimos cinco anos, a Casa Branca investiu US$ 3,2 milhões no Plano Colômbia e também apóia com recursos e material logístico o Plano Patriota.
De acordo com analistas, por trás da oferta das Farc está o interesse do grupo de reaparecer na cena política.
- As Farc foram classificadas como um grupo terrorista e muito dificilmente, se já não existem negociações de Bogotá com a guerrilha, os EUA dialogariam de maneira direta. O grupo sabe disso - afirmou Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia.
Segundo Rangel, a iniciativa deve ser entendida como uma ''boa manobra com a qual os insurgentes reivindicam um protagonismo político e sua ação diplomática internacional''.