Título: Quércia é contra acordo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 28/06/2005, País, p. A3

SÃO PAULO - O presidente da executiva estadual do PMDB, Orestes Quércia, afirmou ontem que o partido decidiu não participar diretamente na equipe de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não queremos cargos no governo'', disse o ex-governador, que ressaltou, entretanto, que o diretório paulista irá sugerir à direção nacional que abandone a base aliada do Planalto neste ''momento de crise''.

O ex-governador lembrou a decisão da convenção nacional do PMDB, realizada no início do ano, que indicou que os peemedebistas deveriam sair da equipe de governo de Lula.

- Devemos respeitar a posição da instância maior do PMDB que é a sua convenção nacional. Naquela ocasião, decidimos que não deveríamos fazer parte do governo.

A decisão dos peemedebistas paulistas foi tomada depois de pouco mais de uma hora de reunião entre os integrantes da executiva estadual do partido. Quércia reclamou da falta de diálogo e de falhas no ''trato político'' do Planalto

- Não adianta chamar para conversa em particular a apenas um integrante do partido e acreditar que, depois de um aperto de mão está tudo resolvido - reclamou o ex-governador, em referência se aos entendimentos do Planalto com Renan Calheiros e o deputado Michel Temer.

Quanto a um ''adiantamento'' da campanha eleitoral, apontada pelo presidente do Senado, Quércia foi enfático: ''queremos sim ter candidatos próprios em todas as disputas no ano que vem''.

- Existe uma crise política que não se extende ao panorama econômico do país.

Quércia afirmou que, durante o fim de semana passado teve alguns contatos com integrantes do governo, mas sem resultados práticos. Ressaltou que uma participação maior de seu partido só seria recomendável se houver um ''aprofundamento da crise''.

- Estamos dispostos a colaborar com o governo naquilo que é possível, como aprovando as matérias de interesse no Congresso - explicou.

Ele afirmou ainda que o posicionamento da executiva paulista, tomada de forma unânime, coincide com as manifestações dos governadores peemedebistas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraná.

- Pelo que tenho observado e conversado com os companheiros de outros estados, o nosso posicionamento é unânime.