Título: Empresas buscam custos menores
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 28/06/2005, Economia & Negócios, p. A17
Na avaliação do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Maurício Chacur, a corrida da indústria farmacêutica pelo território fluminense decorre não só da necessidade de modernizar unidades fabris obsoletas, mas principalmente aproveitar o potencial aberto pelos medicamentos genéricos. O mesmo pensa o professor do Instituto de Economia da UFRJ Fábio Erber, ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Para os dois, independentemente do segmento, o ciclo pode ser explicado pela globalização, que impeliu grandes grupos estrangeiros à busca de menores custos de investimento nos países emergentes. Acrescente-se a isso, segundo Chacur, uma política fiscal agressiva - implementada desde 1998 no estado -, e estão criadas as bases para um novo boom econômico na região.
- Principalmente se o estado em questão dispor não só de localização geográfica privilegiada, mas de infra-estrutura logística e portuária - resume o secretário.
Chacur lembra, por exemplo, que o setor têxtil, que é mais forte na Região Serrana, teve o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) reduzido de 18% para 9%, nos últimos dois anos. A decisão de conceder o incentivo decorreu do assédio que as indústrias sofriam de governos de estados do Nordeste, que ofereciam atrativos pacotes de incentivos.
Economistas questionam os limites éticos e a eficácia, a longo prazo, da guerra fiscal. Esses mesmos especialistas admitem, porém, que, diante do risco de perder empregos, não há como ficar indiferente. O problema é o impacto da renúncia para o caixa dos estados.
- No início, a arrecadação até cai. Depois, no entanto, ela não só volta aos níveis anteriores, como até chega a superá-los - afirma Chacur, que aposta as fichas no Invest Rio, uma espécie de BNDES estadual, criado em maio, para financiar pequenas e microempresas.