Título: Rio, maravilha industrial
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 28/06/2005, Economia & Negócios, p. A17
O Estado do Rio começou a viver este ano o maior ciclo de investimentos industriais das últimas duas décadas. Dados fornecidos por empresários à Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) indicam que serão desembolsados quase R$ 52 bilhões até 2007, em segmentos como siderurgia, petroquímica e indústria naval. O levantamento, antecipado pelo Informe Econômico na semana passada, exclui os bilhões previstos pela Petrobras para os próximos anos, mas revela surpresas como a alavancagem de setores até então tidos como estagnados, como o farmacêutico, cujas empresas deverão investir R$ 297 milhões em ampliação e instalação de novas fábricas. Os segmentos de transformação (40% do total); naval e offshore (29%); e energia (13%) respondem pela maior parcela do capital previsto. Suas empresas investirão, respectivamente, R$ 21 bilhões, R$ 15 bilhões e R$ 6,7 bilhões. Infra-estrutura, por sua vez, receberá 16% dos desembolsos previstos, o que totalizará R$ 8 bilhões nos próximos três anos. A construção civil, para a qual estão previstos R$ 945,4 milhões, responde pela menor fatia do bolo (2%).
No setor farmacêutico, além do laboratório indiano Ranbaxy, que investirá R$ 45 milhões em uma nova fábrica de genéricos na capital do estado, o Salus Biotech, da Coréia do Sul, desembolsará R$ 24 milhões na implantação de uma fábrica de medicamentos no município de Campos dos Goytacazes. Nomes mais tradicionais da indústria farmacêutica, que já estão no estado, como a suíça Roche e o francês Servier, também contribuirão para o novo ciclo, com aportes de R$ 200 milhões na expansão de suas unidades localizadas na cidade do Rio.
A chefe da Assessoria de Infra-estrutura da Firjan, Marta Franco, sustenta que a renúncia fiscal não é o principal indutor de investimentos. Para ela, o capital busca principalmente o binômio ''mão-de-obra barata e boa''.