Título: Braskem estuda sair da Bolívia
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 28/06/2005, Economia & Negócios, p. A21

A Braskem definiu a Venezuela não só como ponto de partida para seu processo de internacionalização, mas como alternativa para sediar o novo Pólo Gás-Químico de US$ 1 bilhão que, por enquanto, ainda tem chances de ser erguido na fronteira da Bolívia. O presidente da petroquímica do grupo Odebrecht, José Carlos Grubisich, admite que as alternativas para o empreendimento já começaram a ser estudadas, diante do possível recrudescimento da crise político-institucional na Bolívia. Ontem, o executivo informou que a Venezuela deverá sediar, a partir de 2008, o primeiro empreendimento da empresa fora do Brasil: uma fábrica de polipropileno (PP) de US$ 250 milhões, que deverá ser construída em sociedade com a Pequiven - braço petroquímico da Petroleos de Venezuela S.A (PDVSA). Com capacidade para produzir 400 mil toneladas/ano de PP, a nova unidade será erguida no Complexo Petroquímico de El Tablazo, na região de Maracaibo.

Grubisich revela que os estudos de viabilidade técnica e econômica da nova fábrica começarão nas próximas semanas. A expectativa é que até o fim deste ano, ou no mais tardar no primeiro trimestre de 2006, já haja um detalhamento do empreendimento. A partir desse estudo, a empresa decidirá se constrói ou não a nova unidade, que terá por objetivo abastecer os mercados venezuelano, colombiano - eventualmente o brasileiro -, além do americano e europeu.

- Nossa estratégia é buscar países que possam nos garantir alternativas de matérias-primas. Esse é o caso da Venezuela, que dispõe das maiores reservas de petróleo e gás natural do continente. Além disso, o mercado americano está a uma distância muito pequena da Venezuela, o que favorece as exportações. E esse é apenas o primeiro investimento - afirmou o presidente da Braskem, ao revelar que em meados de 2006 decidirá o destino do Pólo Gás-Químico da fronteira com a Bolívia. - A princípio, nossa intenção é manter o projeto na Bolívia, mas se a situação institucional se complicar, teremos que rever o escopo do projeto. E nesse caso a Venezuela pode representar uma alternativa interessante.

Um dos artigos da Nova Lei de Hidrocarbonetos, que sobretaxou em até 50% a atividade petrolífera na Bolívia, reduz a tributação sobre os empreendimentos que agreguem valor ao gás boliviano. Isso, segundo Grubisich, contribui, do ponto de vista financeiro, para viabilizar o Pólo na Bolívia. De qualquer maneira, argumenta, ''como o projeto está previsto para 2009 ou 2010, a decisão só será tomada em 2006, quando, espera-se, tenha-se chegado a uma solução para o impasse político-institucional na Bolívia''.

Caso, no entanto, o empreendimento tenha que ser transferido para a Venezuela, o executivo ressalva que a Petrobras e a Repsol já não entrariam mais como sócias no empreendimento, conforme o previsto para a Bolívia. Os candidatos naturais, nesse caso, seriam a Pequiven e a PDVSA. Grubisich justifica, nesse caso, que as parcerias da empresa obedecem à ''lógica das matérias-primas'', e não financeira.

Com relação à Petrobras, na última semana, a Braskem confirmou oficialmente o investimento em uma outra unidade de PP, dessa vez em Paulínia (SP), em parceria com a estatal.