Título: Negócios longe da crise política
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 29/06/2005, Economia & Negócios, p. A20

Os investimentos passam ilesos pelos arranhões da política e a economia vai bem, obrigado. Com crescimento de 38% no primeiro semestre em relação a igual período de 2004, o número de fusões e aquisições em 2005 deverá ser o maior da história brasileira, prevê a KPMG. Enquanto Planalto e ''planície'' ferveram em Brasília, as fusões e aquisições cresceram 43% entre abril e junho. - Tudo indica que este vai ser o ano com o maior número de fusões e aquisições, se nenhum fato negativo acontecer. Por enquanto (a crise política) é pontual e não estrutural - avalia André Castello Branco, sócio de Corporate Finance da KPMG.

Foram contabilizados no primeiro semestre 170 transações, das quais 93 foram seladas no segundo trimestre.

- O número mostra que os investidores estão acreditando no país - afirma.

As empresas de capital nacional responderam por quase metade das aquisições ocorridas nos últimos três meses. Os destaques levantados pela KPMG tratam da compra da Polibrasil pelo grupo Suzano e da Termoceará pela Petrobras. Mas as transações que envolvem pelo menos uma das partes com capital estrangeiro representam 57% do total de aquisições do primeiro trimestre. É o caso do aumento da participação acionária do grupo francês Cassino no CBD (Pão de Açúcar).

Foram as empresas de tecnologia da informação as que mais atraíram aquisições no primeiro semestre do ano. A KPMG contabilizou 21 negócios de fusões entre companhias de tecnologia, com destaque para a compra do e-Capture pelo Unibanco, além da APSoft Sistemas e Consultoria pela Microsiga.

A compra da produtora de sucos Tial pela Pif Paf, especializada em congelados e carnes, exemplifica o que acontece no setor de alimentos e bebidas. A atividade é a segunda no ranking de fusões e aquisições, com 18 operações. A tradicional marca Açúcar União também entrou no rol de adquiridas.

As instituições financeiras figuram no terceiro lugar em fusões e aquisições, com 13 operações. Entre os exemplos, a compra da carteira do Banco Morada pelo Bradesco, bem como a aquisição da Diben. A parceria entre Itaú e a Lojas Americanas na área de varejo também foi considerada pela KPMG. O setor de telecomunicações apresentou doze aquisições, entre elas a compra da Net Serviços pela Telmex e aquisição da Multicabo pela Tele Cidade.

- Diante desses resultados, verificamos até então uma tendência de alta no movimento de fusões e aquisições para 2005. Esses números ainda não foram afetados pela crise política e, se os fundamentos macroeconômicos se mantiverem positivos e com o mesmo ritmo de crescimento, o ano de 2005 será muito bom, independente da instabilidade política - afirma Márcio Lutterbach, sócio da KPMG Corporate Finance. - A previsão é, neste ano, haja um crescimento de 20% em fusões e aquisições.