Título: Justiça condena 11 no caso Parmalat
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Fonte: Jornal do Brasil, 29/06/2005, Economia & Negócios, p. A20
O processo sobre a quebra do grupo italiano Parmalat deu um grande passo ontem. A Justiça italiana condenou um advogado e dez ex-executivos da Parmalat devido à fraude de 14 bilhões de euros que provocou o colapso da empresa, em 2003. Entre os condenados estão o ex-diretor financeiro da Parmalat Fausto Tonna - cuja pena chega a dois anos e meio - e o assessor legal Giampaolo Zini - dois anos. Com isso, nenhum dos dois se beneficiará da lei italiana que estabelece que condenados a menos de dois anos não são obrigados a ir para a prisão.
O restante dos acusados poderá recorrer à suspensão provisória da sanção aplicável a todas as penas de prisão inferiores a dois anos. Esse é o caso de Stefano e Giovanni Tanzi, respectivamente filho e irmão do dono da Parlamat, Calisto Tanzi. Os dois foram condenados a um ano e 11 meses de prisão, cada.
Todos os condenados foram considerados culpados por agiotagem e especulação abusiva, obstrução à autoridade de controle da bolsa e falsidade em documentação contábil.
A Parmalat, uma das maiores empresas italianas, fraudou balanços e divulgou ao mercado que obtinha resultados melhores do que os reais. Quando a fraude foi descoberta, em 2003, as ações da empresa perderam rapidamente valor, causando prejuízos aos acionistas e levando a empresa a uma série de dificuldades para pagar suas dívidas, de 20 bilhões de euros.
Um ano e meio depois da crise da Parmalat, parte dos acusados foi finalmente condenada por meio de um acordo entre a procuradoria e os advogados de defesa, com a autorização do tribunal milanês. A associação de consumidores Altroconsumo, no entanto, criticou o acordo e, através de um comunicado, afirmou que o ''resultado é decepcionante para os investidores prejudicados''.
O fundador da Parmalat, Calisto Tanzi, começará ser julgado em setembro. Tanzi é acusado pelos mesmos crimes que levaram à condenação dos outros 11 acusados. Entre as três pessoas jurídicas que serão julgadas estão as empresas auditoras e revisoras Grant Thornton, que atualmente se chama Italaudit, e Deloitte & Touche.
Atualmente, a companhia realiza um plano de reestruturação interna. A subsidiária no Brasil, hoje independente do grupo italiano, aderiu na última semana à Lei de Falências.