Título: 'Tratoraço' colhe benefícios do governo
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 30/06/2005, Economia & Negócios, p. A22

BRASÍLIA - O tratoraço funcionou. Produtores rurais terão R$ 3 bilhões a mais, via recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para renegociar dívidas privadas junto a fornecedores de insumos. Com isso, os cerca de 20 mil agricultores que invadiram a Esplanada dos Ministérios com 2 mil tratores desde terça-feira tiveram parte de suas reivindicações atendidas.

O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em intervalo da reunião que manteve na tarde de ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, líderes partidários no Congresso, governadores e produtores rurais.

Para o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, a medida possibilitará a ampliação do crédito ao produtor, amenizando os efeitos da perda de renda do setor. Os recursos devem ser liberados pela instituição em prazo de dez dias, com encargos referentes à TJLP (9,75%), mais 4% de juros ao ano. O produtor deverá arcar apenas com a taxa referente ao crédito rural, de 8,75%. O restante deverá ser bancado pela indústria de insumos.

Outros pleitos dos agricultores também foram atendidos, como a reavaliação dos ativos de produtores entregues como garantia em programas alongados de crédito rural, como a securitização e o Programa Especial de Saneamento de Ativos.

A próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), em julho, avaliará a liberação da importação de insumos dos países do Mercosul. Os preços praticados nesses países, sobretudo na indústria de defensivos agrícolas, são mais baixos do que no mercado interno, o que diminuiria os custos do produtor.

A última reivindicação atendida pelo Planalto diz respeito ao seguro rural. O governo enviará ao Congresso um adendo ao projeto sobre a quebra do monopólio do mercado de resseguros no Brasil, forma de viabilizar a implementação do seguro rural. Trata-se da criação de um ''fundo de catástrofe'', que servirá como um colchão para empresas seguradoras em casos de quebra de safra.

- Sem esse mecanismo e sem a quebra do monopólio não existirá o seguro rural no Brasil - garantiu Rodrigues.

Três pontos permaneceram pendentes e serão discutidos hoje: a renegociação geral das dívidas do setor, tema entregue a um grupo de trabalho envolvendo Agricultura, Fazenda e Congresso; a repactuação das dívidas de custeio para estados não atingidos pela seca, mas sofreram o impacto da conjuntura que atinge o setor; e a definição dos preços da saca de arroz no leilão de opções, hoje cotadas a um montante inferior ao preço de custo.

Os produtores defendem um preço mínimo para a saca de arroz. Os produtores brasileiros sofrem com a concorrência dos produtos do Mercosul.