Título: Política não influenciará guerra fiscal com Goiás
Autor: Bruno Arruda
Fonte: Jornal do Brasil, 30/06/2005, Brasília, p. D3

O secretário de Fazenda do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, comprometeu-se ontem, diante de representantes do setor produtivo local, a não deixar a disputa fiscal entre Goiás e o DF ser influenciada pela guerra política travada nos bastidores. Valdivino acumula o cargo no GDF com o de vice-prefeito de Goiânia. E é para a capital goiana que se volta seu projeto político. - Posso nunca mais receber nenhum voto no Estado de Goiás, mas meu compromisso hoje é com a economia do DF - disse Valdivino, sob aplausos.

A reunião foi agendada pelo Fórum do Setor Produtivo para a entrega da carta de posicionamento preparada ontem. No documento, os empresários repudaram a sobretaxa de produtos fabricados no DF e vendidos para Goiás, como retaliação aos incentivos fiscais oferecidos na capital. Foi elaborado porque as recentes declarações do secretário de Fazenda de Goiás, José Paulo Loreiro, indicavam que uma instrução normativa elevando em cerca de 5% os impostos sobre os produtos oriundos do DF seria baixada até terça-feira.

No entanto, o entendimento entre os dois secretários de Fazenda adiou a deflagração da guerra ao menos até a reunião de amanhã do Conselho Nacional de Política Fazendária, em que a questão será analisada. Conforme os empresários, a trégua esvaziou a carta, mas não a discussão sobre o assunto.

Assim, Adelmir Santana, presidente da Federação do Comércio do DF (Fecomércio), afirmou que a guerra, além de fiscal, é também econômica e política. Fiscal no que diz respeito aos incentivos fiscais específicos de cada unidade da Federação, econômica por se tratar de uma disputa pela imensa capacidade de consumo do DF e política na medida que a atuação do secretário em defesa do DF pode virar ataque político na boca dos adversários dele em Goiânia.

- Nosso posicionamento é de defesa do setor produtivo, não do secretário. Até quando ele poderá desempenhar as duas funções? - provocou Adelmir.

Valdivino respondeu com números: disse que tem sido economista e secretário por 25 anos, enquanto exerce a política há apenas nove meses. E continuará fiel ao governador Joaquim Roriz.

O encontro reuniu na Fibra, além do secretário de Fazenda, os secretários do Desenvolvimento Econômico, Marcus Antônio Silva, e da Agência de Desenvolvimento Econômico do DF, Afrânio de Souza. Também compareceram os presidentes das federações que compõem o Fórum do Setor Produtivo do DF: Antônio Rocha, da Federação das Indústrias do DF (Fibra); Enius Marcus, da Câmara de Dirigentes Logistas do DF (CDL); Renato Simplício, da Federação da Agricultura e Pecuária do DF (Fape-DF) e Fábio de Carvalho, do Sindicato dos Atacadistas do DF (Sindiatacadista).