Título: Lula promete reação
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Fonte: Jornal do Brasil, 03/07/2005, País, p. A4

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a corrupção é uma ''desgraça'' e que será ''implacável'' com adversários e aliados que acham que podem usar dinheiro público para ficar ricos. A declaração foi feita em discurso no Foro de São Paulo, encontro de partidos de esquerda da América Latina. Segundo o presidente, é uma meia verdade afirmar que o imperialismo é responsável pelos problemas dos países pobres. -Nem sempre tivemos dirigentes que fizessem a coisa correta com o dinheiro público - disse.

Às claras ou nos bastidores, o escândalo do mensalão se impôs como principal tema do encontro, que se realiza todos os anos e desta vez teve São Paulo como sede.

Lula chegou ao evento com sinais de abatimento. Foi recebido por uma comissão de líderes petistas, entre eles o presidente do partido, José Genoino, que pouco antes havia falado à imprensa sobre a revelação, pela revista Veja, de que o publicitário Marcos Valério Fernandes foi avalista de um empréstimo para o PT.

Após ouvir manifestações de solidariedade e de preocupação com a crise, o presidente procurou tranqüilizar os aliados.

- Seria impossível que eu fosse governar este país por quatro anos e não tivesse problemas. Já fizemos o máximo: que o FMI fosse embora sem darmos um grito. Na política, o que está acontecendo eu encaro como uma certa turbulência, mas que só existe num processo que vai se consolidando, a democracia. Quero que saibam e que voltem para seus países com a certeza de que entendo que a corrupção é uma desgraça no nosso continente - disse.

Ele também negou que a democracia esteja em risco. Antes de discursar, Lula ouviu alguns oradores reforçarem a tese - levantada por líderes petistas - de que existe um movimento golpista em andamento no país. José Genoino, um dos primeiros a discursar, não tocou no assunto do mensalão - suposta mesada paga pelo PT a aliados -, mas defendeu Lula e exaltou seu papel, ao creditar a ele a vitória do partido nas últimas eleições presidenciais.

- Foi um militante determinado e obstinado - elogiou.

Segundo Genoino, o desafio da esquerda é ''mostrar ao povo que somos a possibilidade de construir uma sociedade mais justa''.