Título: Reserva de 100 litros em casa
Autor: Adriana Bernardes
Fonte: Jornal do Brasil, 03/07/2005, Brasília, p. D1

Já imaginou alguém manter um tonel com 100 litros de cachaça em casa? O engenheiro civil Sérgio Diniz, longe de ser um bebedor compulsivo ou de ser proprietário de um alambique, acha que é normal ter uma reserva dessas dentro de casa. Mas o consumo tem regra: beber só às sextas-feiras, quando vai para a fazenda, onde mantém o tonel, ou quando é convidado para churrascos, ocasião em que ele inevitavelmente chega com uma garrafa nas mãos e repete um ritual. Depois ingerir um gole, estala a língua e diz:

- Essa desceu que nem sorvete de abacaxi! - exclama, sem saber explicar muito bem a relação entre a cachaça e a guloseima.

Mas segue repetindo a comparação de tanto ouvir o primo Pedro Leopoldo falar.

Mas beber cachaça exige moderação. Aos 56 anos, Diniz conta que foram cinco vezes apenas que extrapolou na dose: ao ser aprovado no vestibular, na formatura e outras três vezes que ele não se lembra.

Se é tão moderado, então para que tanta cachaça em casa? Segundo Diniz é para presentear os amigos e parentes e manter uma tradição de família.

- Cresci vendo meu pai tomar um cálice de cachaça todo santo dia, antes das refeições. Se estava calor ele dizia que era para refrescar. Se a temperatura caía, aí ele mudava o discurso e dizia que era para esquentar. É uma questão de costume. Faz parte da minha cultura - afirma Diniz.