Título: Origem ainda ignorada
Autor: Adriana Bernardes
Fonte: Jornal do Brasil, 03/07/2005, Brasília, p. D1
Não há registros que indiquem, com exatidão, quando a cachaça começou a ser produzida. Um dos registros aparece no Tratado da Ciência escrito por Plínio, o velho, que viveu entre os anos 23 a 79 depois de Cristo. No Brasil, os índios produziam cauim a partir do milho. Especula-se que para ajudar na fermentação todos cuspiam num enorme caldeirão de barro.
Outro registro - com receita tão desencorajadora quanto a anterior - é de 1532 a 1538. Alguns acreditam que naquela época teria sido descoberto o vinho de cana-de-açúcar (a garapa azeda vinda dos tachos de rapadura que ficava ao relento em cochos de madeiras para os animais). Os senhores de engenho passaram a servir o tal caldo denominado cagaça para os escravos e daí teria sido um pulo para se destilar a cagaça e descobrir a cachaça.
Produção -Especulações sobre a origem da cachaça à parte, a verdade é que ainda hoje faltam dados sobre a produção, consumo e comercialização do produto.
O Ministério da Agricultura estima que no ano passado foram produzidos entre 1,2 e 1,5 bilhões de litros da bebida. Avalia que maior produtor seja São Paulo e que Minas Gerais tenha o maior número de alambiques. A única certeza do governo é sobre as exportações. Em 2004, 11 milhões de litros foram mandados para o Exterior, rendendo cerca de US$ 10 milhões ao País
Segundo a assessoria do Ministério da Fazenda isso acontece porque o setor atua na informalidade.
Os primeiros passos rumo à formalidade foram dados. No dia 17 de junho, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, assinou um documento chamado Padrão de Identidade e Qualidade da Cachaça (PIC), que vai regulamentar e regularizar o mercado produtor de cachaça.
- Era uma reivindicação antiga dos produtores e que reflete as necessidades do setor. Com certeza vai ser bom para quem produz e para o consumidor que terá a garantia de qualidade e inocuidade (não faz mal a saúde) do produto - explica Marcelo Bonnet, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura.
Com o PIC, o produtor terá que descrever resumidamente o padrão físico-químico e a composição da cachaça e obedecer aos limites de teor de cobre, metanol e assim por diante.