Título: Lula acende fogueira em meio à reforma ministerial
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 04/07/2005, País, p. A4

O agravamento da crise política não impediu a família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de realizar o ''Arraiá do Torto''. A festa junina foi divulgada como um evento da agenda particular do presidente e foi realizada no sábado, no mesmo dia em que surgiram denúncias que apontam que o publicitário Marcos Valério avalizou um empréstimo de R$ 2,4 bilhões para o PT. Foi nesse contexto de tensão e angústia que a Granja do Torto foi decorada com bandeirolas e faixas para receber ministros e convidados. Compareceram à festa junina realizada no sábado à noite o vice-presidente José Alencar e os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Aldo Rebelo (Coordenação Política), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Celso Amorim (Relações Exteriores), Olívio Dutra (Cidades) Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), Jorge Armando Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Agnelo Queiroz (Esporte), José Fritsch (Secretaria Nacional da Pesca), Álvaro Ribeiro (Advocacia-Geral da União), Walfrido dos Mares Guia (Turismo), Jacques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), Ricardo Berzoini (Trabalho) , Eunício Oliveira (Comunicações) e Waldir Pires (Controle e Transparência).

O escândalo do empréstimo avalizado por Marcos Valério eleva a temperatura do meio político e coloca a direção do partido do presidente em uma situação ainda mais difícil e constrangedora. Os ministros e convidados para a festa chegaram e deixaram a Granja do Torto sem comentar os desdobramentos da nova denúncia e sem informar qual foi a reação do presidente. Lula, que já teria uma semana difícil, terá que administrar também esse desgaste.

Nesta semana dois importantes eventos darão o tom da agenda política. Espera-se para os próximos dias a divulgação da reforma ministerial, com a inclusão de nomes do PMDB. Até ontem, no entanto, as alterações na Esplanada, permaneciam indefinidas. Os nomes indicados pelo PMDB, como o do deputado Saraiva Felipe (MG), que iria para a Saúde, enfrenta resistências no PT. Lula ainda avalia nomear uma pessoa de perfil mas técnico para o cargo, como o médico Dráuzio Varela. O presidente também não teria gostado da recusa do senador Hélio Costa (PMDB-MG) em ocupar o ministério da Previdência, no lugar de Romero Jucá.

Entre os critérios que nortearão a reforma ministerial está a saída dos ministros que serão candidatos em 2006. Sob esse princípio, o ministro da Saúde, Humberto Costa, foi comunicado na última sexta que terá de deixar o cargo. O mesmo deve ocorrer com o ministro das Cidades, Olívio Dutra.

Na terça-feira, será realizada em São Paulo a reunião da Executiva do PT. No encontro, a direção do partido tratará da operação de empréstimo supostamente avalizada por Marcos Valério e da ligação do presidente do partido, José Genoíno, e do tesoureiro Delúbio Soares com o publicitário. Outros dois fatos importantes da semana serão os depoimentos de Marcos Valério e da sua ex-secretária executiva Fernanda Somaggio na CPI dos Correios.