Título: Dependentes já provam droga antes dos 15 anos
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 04/07/2005, Rio, p. A15

O Conselho Estadual Antidrogas (Cead) realizou uma pesquisa para conhecer o perfil do dependente de drogas que atendeu entre janeiro de 1999 e julho de 2004. Feito com base em 3.600 prontuários, o trabalho revelou que a maior parte das pessoas que chega ao ambulatório do Cead é homem (85%), tem em média 33 anos, não complementou o ensino fundamental e está desempregada. Metade dos dependentes começou a usar drogas antes de completar 15 anos, e 10%, antes dos 10 anos. O álcool foi a primeira droga experimentada por 65% dos dependentes e 10% o provaram antes dos 10 anos. A pesquisa, feita pelas médicas Márcia Carvalho e Ana Cristina Saad, tem o objetivo de orientar a política de tratamento de dependentes químicos desenvolvida pelo Cead, que vinha sendo feita sem qualquer base de dados. - Atendemos, desde 1999, quando começamos o trabalho do Cead, mais de 13 mil pessoas. Achamos importante conhecermos o perfil do dependente químico do Estado do Rio. Antes trabalhávamos sem esse tipo de informação - conta o presidente do Conselho Estadual Antidrogas, Murilo Asfora.

Um dos itens que chamou a atenção de Asfora foi o número de 10% de dependentes que experimentou droga antes dos 10 anos. Essa informação, segundo ele, o fez desengavetar um projeto de trabalho preventivo que quer fazer em 2 mil escolas públicas do estado. A idéia é que haja três professores em cada uma, treinados pelo Cead, informando os alunos sobre os malefícios da droga. Os professores serão indicados pela direção da escola e vão receber uma gratificação de R$ 100 por mês.

- Pretendo implantar esse projeto nas escolas, no mais tardar, no ano que vem. Mas estou aguardando a liberação de verbas - explica. Outro dado revelado foi que o númerode mulheres que procuraram tratamento em 2004 (557) foi quase o dobro do registrado em 2003 (279). A droga de preferência das mulheres é a mesma do homem: o álcool.

- É a principal droga. É a que usaram primeiro e a que preferem - explica Márcia Carvalho, médica responsável pela análise dos dados recolhidos pelo Cead.