Título: Publicitário passou de classe média a milionário
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/07/2005, País, p. A3

O publicitário Marcos Valério, apontado pelo deputado Roberto Jefferson como o operador financeiro do mensalão, teve seu patrimônio ampliado de R$ 230 mil para R$ 14 milhões, de 1997 a 2004. Isso significa que o publicitário aumentou 60 vezes o seu patrimônio. Só no primeiro ano do governo Lula o patrimônio de Valério cresceu 76%, passando de R$ 3,8 milhões para R$ 6,7 milhões. Em 2004, este valor chegou a R$ 14 milhões Grande parte da ampliação dos bens de Marcos Valério vêm dos lucros de suas empresas de publicidade, segundo consta nas declarações de renda. Valério não é publicitário de formação e sim graduado em Engenharia.

Em 2002, Marcos Valério recebeu das agências de publicidade (e coligadas) das quais é sócio R$ 504 mil a título de lucros e dividendos. No ano seguinte, foram R$ 2,95 milhões. O retorno que suas empresas lhe proporcionaram no primeiro ano do governo Lula foi quase seis vezes maior do que em 2002.

O governo federal é um dos principais clientes das agências de propaganda de Marcos Valério. São cinco contas que contam com o nome do Banco do Brasil, Empresa de Correios e Telégrafos, os ministérios do Trabalho e dos Esportes e também a estatal Eletronorte. Trabalhos relacionados com a imagem da Câmara dos Deputados também estão sob a responsabilidade do empresário. O contrato de publicidade que define que a empresa de Marcos Valério preste serviços à Câmara foi assinado em 2003, quando o petista João Paulo Cunha ainda era o presidente da Casa.

Ontem, o publicitário classificou de ''desatino, desespero e cinismo'' as acusações feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Valério disse ''repelir'' o que chamou de tentativa do petebista de compará-lo a PC Farias, e contra-atacou afirmando ter sido Jefferson ''aplicado defensor'' e ''parceiro político'' de PC.

Paulo César Farias foi o tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que sofreu processo de impeachment e deixou a Presidência, em 1992. Quatro anos depois, o corpo de PC foi encontrado com um tiro na sua casa de praia em Alagoas.

Na sua resposta, em nota da assessoria de imprensa, o publicitário ironizou ao dizer que ''reconhece plena autoridade no deputado Roberto Jefferson para falar sobre as atividades de PC Farias, tendo em vista a notória participação do parlamentar no que a imprensa denominou de ''tropa de choque' do ex-presidente Collor''.

Acrescentou que ''jamais teve com o deputado Jefferson qualquer tipo de relação, em qualquer nível, que autorize o parlamentar a compará-lo com aquele de quem o deputado foi parceiro político e aplicado defensor''.

A nota foi distribuída por causa do depoimento de Jefferson à CPI dos Correios. Em diversos momentos do seu depoimento, Jefferson comparou PC Farias a Delúbio Soares, o tesoureiro do PT, e a Valério, a quem o deputado acusa de ser o operador'' de Delúbio no pagamento do suposto mensalão.

Jefferson disse:

- Em todas as contas do PC Farias passaram R$ 64 milhões, e nas contas do Marcos Valério já passaram R$ 45 milhões - disse.