Título: Vasp manobra para evitar falência
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Fonte: Jornal do Brasil, 02/07/2005, Economia & Negócios, p. A19

A Vasp, que está sob intervenção desde março deste ano, seguiu o exemplo da Varig e pediu ontem à Justiça do Estado de São Paulo o direito de passar por recuperação judicial. A medida substituiu a concordata na nova Lei de Falências.

O pedido foi feito pela comissão de intervenção da companhia aérea, depois que uma assembléia com cerca de cem funcionários da empresa deliberou favoravelmente à medida.

- Foi o único remédio que encontramos, não houve alternativa - disse Reginaldo Alves de Souza, interventor interino da Vasp.

No processo, que será julgado pelo juiz da 1ª Vara Especial de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, Alexandre Alves Lazzarini, também foi solicitado o afastamento definitivo da atual diretoria da empresa, presidida por Wagner Canhedo.

A administração de Canhedo é chamada de ''catastrófica'' pela petição inicial do processo. O documento diz ainda que, após a privatização da empresa, adquirida pelo grupo Canhedo em 1990, ''passou-se a assistir ao seu desmonte, à negação de sua vocação, a um dos maiores exemplos mundiais de aviltamento''.

O grupo Canhedo afirmou, em nota, que soube da ação pela imprensa e ''relembra que se acha afastado da gestão da empresa e não pretende, em conseqüência, manifestar-se''. O grupo diz que ''continua trabalhando arduamente, sempre no sentido de colaborar com as autoridades governamentais, cumprindo, estritamente, toda e qualquer medida estabelecida pela legislação''.

Na segunda-feira, está marcada manifestação dos trabalhadores da Vasp no Fórum João Mendes para exigir que a Justiça aceite o pedido de recuperação.

A petição de recuperação judicial da Vasp estava pronta desde o dia 10 de junho. Nesta semana, com a expectativa de uma ''enxurrada'' de pedidos de falência contra a empresa e com rumores de que o próprio Wagner Canhedo já contratara advogados para pedir a recuperação judicial, a comissão de intervenção optou por se antecipar e ajuizar o pedido.

Antes, foi ouvido o juiz da 14ª vara trabalhista de São Paulo, Homero Batista, que homologou o acordo em que Canhedo reconheceu o passivo da Vasp com seus empregados. Segundo a comissão, o juiz concordou que esse era o único caminho para a Vasp.

Especialistas em direito, no entanto, ponderam que a aceitação do pedido não está garantida devido a questões processuais.

Com agências