Título: Pensamentos do Papa Bento XVI
Autor: D. Eugenio Sales
Fonte: Jornal do Brasil, 02/07/2005, Outras Opiniões, p. A11

Neste domingo dia 3 de julho, a Igreja Católica celebra o dia do Papa. Lancemos um olhar sobre os dois últimos sucessores de Pedro e sua importância para a Igreja e a Humanidade.

As exéquias de João Paulo II e o início do Pontificado de Bento XVI desencadearam manifestações de sentimentos nobres em todo o mundo. Tudo vem ocorrendo em duas ver tentes: a solidariedade entre os homens, inclusive entre chefes de Estado, e o fortalecimento da fé cristã. A lembrança desses eventos alimenta a vida religiosa de católicos e adeptos de outros credos.

Aos fiéis, especialmente, cabe o dever de manter viva a lembrança dessas ocorrências. Devemos procurar difundir tudo o que sucedeu e as lições daí decorrentes, multiplicando os dons que a Providência Divina concedeu à nossa geração, chamando a atenção para alguns atos do magistério do dia-a-dia do novo Papa. Ele alerta para os males do relativismo, em matéria de fé e de costumes. A 6 de junho último, na Basílica de São João do Latrão, por ocasião da abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma, ele assim fala sobre a ameaça do relativismo: ''Um obstáculo (...) é hoje a massiva presença, em nossa sociedade e cultura, desse tipo de relativismo que, ao não reconhecer nada como definitivo, só tem como medida última o próprio eu com seus gostos e que, com aparência de liberdade, converte-se, para cada um, em uma prisão, pois separa dos demais, fazendo com que cada um se encontre fechado no próprio ''eu''. Em um horizonte relativista fica-se condenado a duvidar da bondade da própria vida e da validade de seu compromisso para com os demais''. E acrescenta: ''Está claro, portanto, que, não só temos de tentar superar o relativismo em nosso trabalho de formação de pessoas, mas que estamos também chamados a enfrentar seu predomínio destrutivo na sociedade e na cultura''. Eis alguns exemplos: Bento XVI reafirma a inviolabilidade da vida humana, desde a sua concepção até seu ocaso natural, portanto, mantém os ensinamentos da Igreja sobre o aborto e a eutanásia. Confirma o valor único e insubstituível da família, fundada sobre o matrimônio, e a necessidade de que o campo legislativo, apóie a tarefa das famílias para gerar e educar os filhos.

Ao receber o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, no início de seu Pontificado, Bento XVI advoga que ''as comunidades cristãs, os responsáveis pelas nações, os diplomatas e todos os homens de boa vontade não meçam esforços em favor de uma sociedade pacífica, superando a tentação do choque entre culturas, etnias e mundos diferentes''. Ele se dirigia aos representantes de 174 países que mantêm relações diplomáticas com a Santa Sé como, por exemplo, a Federação Russa, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a Coréia do Norte, os Emirados do Quatar. Bento XVI agradeceu nações que, embora não mantendo relações diplomáticas com o Vaticano, ''se associaram às celebrações, por ocasião do falecimento de meu predecessor e de minha eleição à Sede de Pedro''. No início de seu Pontificado, Bento XVI expôs aos representantes do mundo civil os caminhos que levam a Humanidade à paz e ao progresso.

A 11 de maio último, o Santo Padre, Bento XVI, ao comentar um trecho do Apocalipse, na catequese das audiências públicas nas quartas-feiras, nos exorta à confiança em Deus, pois a ''História não está nas mãos de forças obscuras, do azar ou de opções humanas''. Nossa fé nos ensina: ''ante o desencadeamento de energias motivado pela irrupção de Satanás, ante tantos açoites e males, eleva-se o Senhor, árbitro supremo das vicissitudes da história (...) Deus não é indiferente ante as vicissitudes humanas''. E explica: ''Esta intervenção divina tem um fim preciso, é um sinal que convida todos os povos da terra à conversão das nações''.

Nas vésperas de 13 de maio, quando, neste dia a Igreja celebra com grande solenidade a Virgem de Fátima, o Papa Bento XVI convidou os fiéis de todo o mundo a depositarem sua esperança em Maria, Mãe de Jesus, ''confiando-lhe cada uma de vossas necessidades''.

Por ocasião do encerramento do XXIV Congresso Eucarístico Nacional Italiano, de 21 a 29 de maio último, que tinha por lema ''Sem o domingo não podemos viver'', o Papa recordou ao mundo a importância desse dia. Referiu-se ao martírio dos 39 cristãos em Abitene, no Norte da África, no ano 303. Eles sacrificaram a vida para não renunciar à Eucaristia dominical.

A 16 de junho último, ao receber as cartas credenciais de sete novos embaixadores, convidou seus países a ''criar uma humanidade cada vez mais fraterna (...) temos de enfrentar o primeiro desafio: a solidariedade (...) a Igreja não deixará de recordar que todos os homens têm de prestar atenção a uma fraternidade humana, feita de gestos concretos no plano de indivíduos, de governos e de instituições internacionais''.

Eis alguns exemplos do Magistério de Bento XVI no governo da Igreja do Senhor. Comparemos a vida eclesial, hoje, com o que era divulgado sobre o Cardeal Joseph Ratzinger antes do Consistório. Quem vive sua fé católica acredita no Espírito Santo que governa a obra de Cristo. Morre João Paulo II, ''O Grande'', e a instituição fundada por Jesus continua seu caminho.

O que foi presenciado, graças aos meios de comunicação social, não deve cair no esquecimento. A recordação freqüente desses momentos tão ricos de espiritualidade cristã são uma fonte de graças e, de modo particular, nos alertam para nosso dever de seguir o Pastor e obedecer aos seus ensinamentos.

As ocorrências, por ocasião da morte e sepultamento do Servo de Deus João Paulo II e início do Pontificado de Bento XVI, fortalecem nossas esperanças de melhores dias.