Título: PMDB deve ficar só com três pastas
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Fonte: Jornal do Brasil, 06/07/2005, País, p. A7

Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de ontem, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP), ainda tentavam emplacar pelo menos três nomes do PMDB na reforma ministerial. Existe a expectativa de que hoje o presidente Lula anuncie Silas Rondeau para o Ministério das Minas e Energia, o senador Hélio Costa (PMDB-MG) para o Ministério das Comunicações, e Saraiva Felipe para a Saúde. À noite, os três foram chamados para uma conversa com Lula. De acordo com Renan Calheiros, o presidente Lula deseja anunciar os novos ministros antes do embarque para a Escócia, previsto para o início da tarde de amanhã.

O PMDB também queria ver nomeado o secretário-executivo, Paulo Lustosa, para o Ministério das Cidades, o que aumentaria o quinhão do partido na Esplanada de dois para quatro pastas. Mas o ex-deputado não havia sido chamado por Lula até as 21h40. Segundo auxiliares diretos do presidente, Lustosa teve seu nome vetado por Lula em reunião anteontem com a cúpula do PMDB por enfrentar resistências dentro do PT.

Durante toda a semana, petistas com influência no governo ponderaram a Lula que o PMDB não poderia controlar dois ministérios tão fortes como os da Saúde e Cidades, uma vez que a contrapartida oferecida, apoio sólido ao governo no Congresso, não estaria totalmente assegurada por conta da histórica divisão do partido. Pessoas próximas a Lula também temiam uma possível ligação de Lustosa com o deputado José Borba (PMDB-PR), acusado pela secretária Fernanda Somaggio de manter estreitas relações com o publicitário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do mensalão.

Embora os líderes do PMDB tivessem dito em encontro com Lula ontem pela manhã que, em toda sua vida pública, não existia nenhuma denúncia contra Lustosa - ex-ministro da Desburocratização do governo Sarney -, o presidente manteve o veto.

Oferecido inicialmente ao PMDB, o Ministério da Previdência deverá ser ocupado por um técnico, com a incumbência de promover medidas necessárias a redução do déficit no setor. Um dos cotados para assumir o cargo é Joaquim Levy, secretário do Tesouro Nacional.

Além da ampliação do espaço do PMDB no governo, Lula tem confidenciado a auxiliares que procura quadros de ''notáveis'' para quebrar um pouco o perfil político da Esplanada. O anúncio dos nomes de alta respeitabilidade, contudo, viria numa segunda etapa da reforma. A maior dificuldade, até ontem, era convencer os preferidos por Lula a aceitar entrar num governo à luz da crise. Sondados, os empresários Antonio Ermírio de Moraes, Delfim Netto e o médico Dráuzio Varella, não demonstraram disposição em ingressar no novo Ministério do presidente Lula.

A indefinição quanto o destino do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, também permanece. Ontem, Lula teria dito que Aldo seria uma boa opção para retornar ao Congresso e reforçar a tropa de choque do governo. Outra hipótese é deslocar o ministro para o Ministério do Trabalho. A função de articulador político caberá ao ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, que acumulará as tarefas. O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, teria decidido ser candidato no próximo ano e, ao contrário do que se imaginava na semana passada, poderá deixar o cargo.

O presidente Lula começou a movimentar o tabuleiro do xadrez da reforma ministerial, que será ampla e alcançará também as estatais, na sexta-feira com as demissões dos ministros Humberto Costa, da Saúde, e Romero Jucá, da Previdência. Embora não tenha recebido ainda o bilhete azul, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - que vem sendo acusado de crime tributário e evasão fiscal -, também sai. A transição foi acertada com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, numa reunião de duas horas semana passada. Meirelles deverá ser substituído pelo atual secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal.