Título: Piloto novo para a reestruturação
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 07/07/2005, Economia & Negócios, p. A17

A Varig, que tem 45 dias para apresentar à Justiça um plano de reestruturação dentro do regime de recuperação judicial previsto na nova Lei de Falências, viveu ontem mais um dia de turbulência. Omar Carneiro da Cunha assumiu a presidência da companhia aérea no lugar de Henrique Neves, que ocupava o cargo há apenas dois meses.

A saída de Neves - cantada por analistas de mercado desde o início da semana, mas desmentida pela empresa até terça-feira - concretizou-se durante reunião do conselho de administração, na manhã de ontem. O executivo assumirá um posto na diretoria da companhia e atuará juntamente com a consultoria que será nomeada para capitanear o processo de reestruturação.

E Carneiro da Cunha, oitavo presidente da companhia desde 2000, já começou no novo cargo às voltas com a busca por investidores que aceitem capitalizar a Varig: presença confirmada no seminário Uma saída para a Varig, organizado pela Coppe-UFRJ, deu bolo na audiência sob a alegação de que se reuniria com um candidato.

- A reunião só poderia ser hoje, já que esse possível investidor embarca amanhã para uma viagem internacional - disse o brigadeiro Sérgio Ferolla, integrante do Conselho de Administração da Varig.

Ferolla não revelou o nome do potencial investidor, mas garantiu que ''pelo menos seis grupos internacionais'' se mostraram interessados em injetar recursos na empresa.

- Qualquer empresa que aplicar na Varig agora terá o seu dinheiro garantido pelo mecanismo de proteção judicial, o que por si só atrai muitos interessados - afirmou, ressaltando que o presidente do Conselho de Administração, David Zylbersztajn, se encontrou nos Estados Unidos com representantes de fundos especializados em aplicações em empresas que passam por processos de reestruturação. - Deveremos ter uma reunião na sexta-feira para definir um investidor.

O aporte financeiro se mostra necessário devido ao período financeiro delicado que a empresa atravessa. A Varig tem créditos a receber que só entrarão na conta em 22 de julho, o que torna as próximas duas semanas difíceis em termos de geração de receitas.

Neste sentido, afastar possíveis sobressaltos com os credores torna-se essencial. Osvaldo Cesar Curi, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta (FRB, controladora da Varig), garante que não há pressão alguma sobre a atual gestão e ressalta que a saída de Neves foi decidida pelo próprio Conselho de Administração.

- Há um compromisso da Ruben Berta em reduzir para entre 10% e 20% a participação na Varig depois da reestruturação - acrescentou Ferolla.