Título: Bolsa reage mal a novo ministro
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 07/07/2005, Economia & Negócios, p. A19
A indicação de Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia desagradou o mercado, o que pôde ser verificado no desempenho das ações de empresas de energia elétrica na Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa registrou queda de 0,64%, puxado pelas desvalorizações de papéis do setor. O pregão sentiu, ainda, a queda das bolsas americanas provocada pela alta do petróleo, que atingiu o preço recorde de US$ 61,28 em Nova York.
Das dez ações com as maiores quedas no Ibovespa, cinco eram de empresas do setor elétrico. O Índice de Energia Elétrica (IEE) - que mede o desempenho dos principais papéis do setor - recuou 2,59%. A maior queda foi verificada no papel ON da Light, que caiu 6,01%, a R$ 49,39 o lote de mil. Em seguida aparece a ação ON da Tractebel, com queda de 5,91%, para R$ 9,55.
As ações preferenciais da Eletrobrás, empresa que Rondeau presidia, caíram 2,58% e ficaram entre as mais negociadas da Bovespa. Figuraram também entre as dez maiores quedas as ações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), com recuo de 3,46% e 2,60%, além das preferenciais da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), com perda de 3,07%.
Para Rafael Quintanilha, analista da corretora Ágora Senior, o que mais preocupa o mercado é o fato de Rondeau ter assumido o ministério por indicação política do senador José Sarney (PMDB-AP). Embora o mercado o considere de perfil técnico, há um temor de que o novo ministro se utilize de manobras políticas na indicação de projetos, gerando incertezas no setor. O analista citou o leilão de energia ''nova'' (de usinas que ainda devem ser construídas) previsto para acontecer no último trimestre do ano.
- A expectativa é se eles serão bem sucedidos, pois vão definir a capacidade de crescimento e de geração de energia nova - observou Quintanilha.
A nova disparada do petróleo foi provocada pela suspensão da produção no golfo do México, em função de uma forte tempestade. O barril do tipo WTI, com entrega para agosto, fechou com alta de 2,84%, aos US$ 61,28 - tendo atingido US$ 61,35 durante o pregão - puxando também o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, que caiu 0,97%. Antes, os preços já tinham alcançado níveis recorde devido às preocupações quanto à alta da demanda americana no fim do ano, por conta da necessidade do produto para uso em calefação, e aos limites da capacidade de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O dólar registrou a quarta valorização consecutiva, fechando a R$ 2,395. A alta de 0,75% foi, segundo analistas, reflexo da crise política. Mas a entrada de recursos no país por meio de captações e exportações continua impedindo uma alta abrupta da divisa. Segundo o Banco Central, o fluxo cambial foi de US$ 728 milhões em junho. Em maio, havia ficado negativo em US$ 811 milhões.