Título: Diretores do BB afastados
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 08/07/2005, País, p. A5
Uma semana após o surgimento de denúncias sobre o favorecimento do Banco do Brasil ao PT, dois vice-presidentes da instituição ligados ao partido, Luis Eduardo Franco de Abreu, da diretoria de Finanças, e Edson Monteiro, de Varejo, foram exonerados. A interpretação do mercado aponta para uma ''despetização'' da diretoria do banco, na tentativa de evitar que a instituição acabe por se contaminar com a crise política. O Banco do Brasil, entretanto, nega qualquer ligação entre a saída dos dois vice-presidentes e os empréstimos concedidos ao PT.
De acordo com a assessoria de imprensa do BB, as exonerações fazem parte de uma reformulação ampla da cúpula da instituição, desenhada desde a efetivação de Rossano Pinto Maranhão na presidência do banco, em abril deste ano. Ele chegou ao cargo em dezembro do ano passado, como substituto interino de Cássio Casseb, afastado depois de denúncias sobre envio ilegal de recursos ao exterior.
As medidas, portanto, nada teriam a ver com os empréstimos concedidos pela instituição ao PT, segundo a assessoria. Em nota oficial, a instituição descarta a existência de irregularidades nos três contratos de leasing firmados com o PT, que somavam R$ 17,1 milhões em dezembro de 2004. Os empréstimos seguiram ''todos os trâmites e parâmetros técnicos''.
Das sete vice-presidências que constituem a diretoria do banco, apenas as duas que sofreram modificações eram ocupadas por petistas. As demais são conduzidas por funcionários de carreira do BB.
Com a decisão de Maranhão Pinto, o economista Antônio Francisco Lima Neto passou a ocupar o lugar de Edson Monteiro, que veio da Brasilcap Capitalização e teve o apoio do sindicalismo bancário ligado ao PT. O funcionário Aldo Luiz Mendes substitui Luiz Eduardo de Abreu na vice-presidência de Finanças. Abreu foi presidente do Banco de Brasília durante o governo de Cristovam Buarque no DF.
Mais mudanças são esperadas na diretoria do banco, com a vaga surgida na vice-presidência de Negócios Internacionais, antes ocupada por Antônio Francisco de Lima Neto. Entre os mais cotados para o cargo está Luiz Carlos Aguiar, diretor de investimentos da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Caso se confirme o movimento de despartidarização do BB, outros executivos podem ser demitidos na instituição. Um dos alvos seria o presidente do Banco Popular, Geraldo Magela, que recebeu o cargo depois de perder para Joaquim Roriz (PMDB) a disputa pelo governo do DF.
Ontem, o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman, entrou ontem com representação no Ministério Público pedindo abertura de inquérito para investigar o empréstimo. Na ação, ele pede que seja verificada qual é a classificação de risco do PT como cliente do BB.