Título: Sinais de reação
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 08/07/2005, Economia & Negócios, p. A19

Blindagem da economia rende frutos: enquanto Brasília ferve com depoimentos à CPI sobre denúncias de corrupção envolvendo políticos, indústria registra nível recorde de produção, BNDES recebe o triplo de pedidos de financiamento e índice de preços que corrige as tarifas de telefone fixo volta a apontar deflação.

*** A tendência de crescimento da produção extrapolou a indústria de bens duráveis e voltou a alcançar em maio todas as categorias do setor. Após três meses de estagnação, o parque fabril cresceu em média de 1,3% em relação a abril e 5,5% em comparação com maio do ano passado. Foi o maior patamar de produção já registrado na história da indústria.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atribui a reversão da apatia do setor ao aumento de crédito e das exportações, bem como ao aumento da produção de petróleo, estimulada pela entrada em operação de novas plataformas da Petrobras. Resultados melhores de emprego e renda, além da queda da inflação, também influenciaram o desempenho da indústria. A Pesquisa Industrial Mensal assinala que ''os resultados de maio reforçam os sinais de recuperação no ritmo da atividade''.

O crescimento da categoria dos bens de consumo duráveis teve o maior ritmo (3,7%), seguidos por bens de capital (3,4%). Os bens intermediários (0,8%) e os de consumo semiduráveis e não-duráveis (0,6%), por sua vez, tiveram crescimento abaixo da média (1,3%). ''Tal perfil de desempenho sugere que, além da sustentação das vendas externas, que impacta setores tipicamente exportadores, a manutenção das condições de crédito e o aumento no nível de ocupação, associados a uma redução no ritmo inflacionário, estariam trazendo sinais de reação também para setores predominantemente dependentes da evolução da demanda interna'', assinala a pesquisa.

São os bens de capital, medidores de investimento, os produtos que apresentam a maior tendência ao crescimento. O indicador de média móvel trimestral, que calcula o desempenho da atividade num período de três meses em relação aos três meses imediatamente anteriores, mostra que a indústria cresceu 0,9% no trimestre encerrado maio em comparação com o trimestre acabado em abril. O índice é considerado pelos técnicos do IBGE como um medidor de tendências do comportamento do setor.

Quinze das 23 atividades pesquisadas pelo IBGE aumentaram a produção entre abril e maio. Em comparação com maio do ano passado, 23 em 27 ramos investigados têm crescimento. Nos cinco primeiros meses de 2005, a indústria brasileira acumula alta de 4,7%, maior que a taxa registrada até abril - 4,5%.

Entre abril e maio, o refino de petróleo cresceu 7,6%, o maior empurrão na média da indústria. Material eletrônico e equipamentos de comunicações (5,3%), fumo (14,9%), máquinas e equipamentos (1,8%), bebidas (3,8%) e indústrias extrativas (2%) também aumentaram produção. Por outro lado, fábricas de alimentos (-3,8%), metalurgia básica (-4,2%) e perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-6%), cortaram.