Título: Festa na Bastilha
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 30/05/2005, Internacional, p. A7
Assim que a notícia se espalhou, partidários da rejeição saíram às ruas para comemorar a vitória. O local escolhido para a concentração não poderia ser mais significativo: a Praça da Bastilha, local símbolo da revolta popular que caracteriza a Revolução Francesa de 1789. Por toda parte, buzinas e gritos de ''Vencemos'' cortavam a noite.
- Esta é uma grande vitória - dizia Fabrice Savel, de 38 anos, que havia saído do subúrbio operário de Aubervilliers para comemorar. Ele ainda distribuía cartazes com o slogan ''Não ao mercado livre na Europa''.
Os apelos do presidente Jacques Chirac para persuadir quase 42 milhões de votantes caíram no vazio diante da rebelião contra a elite política. Pesaram mais o desemprego acima de 10% e a discordância em relação aos rumos da União Européia, sobretudo diante do crescente poder de decisão concentrado em Bruxelas. A opinião pública, já preocupada com razões históricas de soberania, também se assustou com a possibilidade de a adesão abrir as portas do país a uma enxurrada de imigrantes do Leste.
- Se você olha em cada frase, praticamente todo artigo traz menção aos mercados - acrescentava Anne-Marie Latremoliere, designer gráfica de 57 anos, que votou pela rejeição. - Queremos uma Europa bela e isso certamente não a faria assim.
O argumento econômico foi o mais freqüente entre os que rejeitaram a Carta.
- Acredito na Europa, mas não em um mercado onde todos competem contra todos e o resultado é menos ganhos e segurança em geral - completava Doucha Belgrave, 57 anos, classificando a Constituição como um ''nivelador por baixo''.