Título: Francês diz 'não' e humilha Chirac
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/05/2005, Internacional, p. A7
Em uma decisão histórica e crucial para o futuro da União Européia, os franceses disseram 'não' à Constituição do bloco no referendo realizado ontem. Antes que o resultado fosse confirmado, as pesquisas de boca de urna já indicavam a derrota do governo. No início da noite, o presidente Jacques Chirac foi às tevês reconhecer aquele que pode ter sido o maior revés de sua carreira política e o fim de um projeto pessoal de liderança na unificação continental - movimento do qual a França é um dos fundadores.
Segundo a apuração oficial, com mais de 99% dos votos apurados, o 'não' ganhava com em torno de 54,86%. Cerca de 60% dos 42 milhões de eleitores aptos foram às seções.
Chirac, de 72 anos, disse que o resultado não vai fazer a França deixar a União Européia. Líderes do bloco, no entanto, acreditam que a decisão retardará a integração continental e fará com que a França se enfraqueça em relação aos outros estados-membros.
O presidente francês garantiu que o governo vai agir com ímpeto e sinalizou que poderá afastar o impopular primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin ao avisar que ''algumas decisões serão anunciadas nos próximos dias''.
- A França se expressou democraticamente. Vocês rejeitaram a Constituição Européia pela maioria. É a sua soberania e estou ciente disso. Entretanto, essa decisão criou um contexto difícil para a defesa dos nossos interesses - avaliou , antes de prosseguir. - Nossas ambições e interesses são profundamente ligados à Europa. A França, como membro fundador da união, permanecerá, naturalmente, como membro dela - disse o presidente, com ar abatido.
O ministro de Relações Exteriores, Michel Barnier, qualificou o resultado como uma grande decepção ''que trará muitos problemas para o Estado''. Outras fontes do governo garantiram que Chirac não vai renunciar, como foi sugerido pelo líder da extrema-direita, Jean Marie Le Pen, a dois anos das eleições presidenciais e parlamentares.
- O resultado cria um novo futuro para o país, caso o presidente tire conclusões óbvias e renuncie - afirmou Le Pen, que defendeu a rejeição. Já o dirigente do Movimento pela França, o conservador Philippe de Villiers, também pediu que Chirac renuncie porque não ''é mais qualificado para liderar a nação''.
- Já não há Constituição. A Europa deve se reconstruir sobre outras bases que não as da atual, que foram rejeitadas - avaliou .