Título: Mercado ignora a crise
Autor: Claudia Mancini
Fonte: Jornal do Brasil, 27/05/2005, País, p. A7
TÓQUIO - A atual crise política brasileira tem impacto limitado nos mercados, menor do que se viu em situações semelhantes anteriores, comparou ontem, em Tóquio, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A crise é levada em conta, mas atualmente ''uma coisa que chama a atenção é como os indicadores econômicos têm se deixado influenciar pouco pela situação política'', observou. Este é um sinal de que o Brasil é visto como um país que ''está amadurecendo'', avaliou Meirelles. O presidente do BC aposta ainda que as eleições de 2006 não vão afetar a economia, porque a política fiscal e as metas de inflação serão mantidas.
Meirelles afirmou que o superávit fiscal primário de 5,02% do PIB, acumulado neste ano até abril e divulgado esta semana, não significa queda imediata da taxa de juros do país, a mais alta do mundo. Isso porque, ao definir os juros, o Conselho de Política Monetária (Copom) considera diversos indicadores econômicos.
- Não há duvida de que o fato de todos os fatores estarem caminhando na mesma direção é positivo - afirmou.
A meta fiscal do governo é de 4,25% do PIB.
A respeito da avaliação de agência de classificação de risco Standard & Poor's de que o Brasil é bastante vulnerável a uma mudança na política monetária dos Estados Unidos (EUA), disse haver também uma defasagem entre os relatórios dessas agências, que são mais conservadores, e mudanças ocorridas num país. O Brasil, afirmou, está fazendo seu dever de casa e há uma tendência de melhora na situação econômica, verificada na comparação com indicadores dos últimos meses. Meirelles citou como exemplo de maior solidez do País a queda da relação entre a dívida pública e o PIB, o aumento do superávit primário e a queda da relação entre juros pagos e dívida externa líquida sobre exportações.
Segundo Meirelles, à medida que o cenário melhora, em algum momento no futuro - que ele não previu quando será -, o mercado poderá sinalizar que o Brasil está apto a receber das agências a classificação de investment grade (grau de investimento), a mais elevada. Uma vez que o mercado der essa sinalização, num momento seguinte as agências podem usar essa classificação. (C.M)