Título: Meirelles recusa nova meta de inflação
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/05/2005, Economia, p. A17

TÓQUIO - A fixação das metas de inflação para o ano que vem está longe de ser um tema já apaziguado. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deu sinais ontem, durante visita oficial à Ásia, de que não pretende rever sua decisão sobre a inflação de 2006. A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4,5%, com dois pontos de margem de erro. A meta deve ser referendada no mês que vem pelo CMN.

Meirelles disse que o governo não pode reavaliar a meta inflacionária para 2006. Tanto setores dentro do PT, entre os quais o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), quanto empresários liderados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendem uma revisão da meta para um objetivo menos ambicioso.

- O debate sobre as metas é legítimo, a sociedade tem o direito de fazer isso. Mas as metas para 2005 e 2006 estão fixadas e, em junho, o CMN vai fixar a meta de 2007 - disse o presidente do BC.

Mercadante defendeu, na terça-feira, uma meta de 5,1% para o ano que vem. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse na quarta-feira que convidou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para um encontro em São Paulo. A reunião, que deve ocorrer nos próximos 15 dias, segundo Skaf, é para tratar do tema.

O empresário defende ainda a ampliação do número de participantes do CMN, dos atuais três - além de Meirelles, fazem parte do conselho Palocci e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo - para nove integrantes: cinco do governo e quatro da sociedade civil.

O conselho é responsável, entre outras funções, pela definição das metas de inflação, da taxa de juros de longo prazo (TJLP, referência para empréstimos do BNDES) e de políticas de financiamento imobiliário (SFH).

Meirelles também falou sobre a taxa de câmbio. No último pregão, o dólar fechou cotado a R$ 2,41, no menor patamar desde maio de 2002. O presidente do BC tratou de afastar o temor de que a valorização excessiva do real possa afetar negativamente as exportações do país.

- O Banco Central não tem meta de câmbio. O objetivo é a recomposição de reservas, o que está sendo cumprido com sucesso, pois elas estão num nível cada vez melhor.