Título: Expansão de rotas no plano de vôo
Autor: Marcelo Kischinhevsky e Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 10/07/2005, Economia & Negócios, p. A17

O aeroporto do Galeão recebe hoje cerca de 7.500 passageiros por dia. A previsão de 7 milhões de passageiros para este ano já foi revisada para 8 milhões, o que representa um crescimento superior a 50% frente aos anos anteriores.

- O Rio é um destino que volta a ser privilegiado pelos europeus e passa a ser descoberto pelos asiáticos. Hoje, num mundo cada vez mais conectado, trazemos turistas de diversas origens. Só 20% de nossos passageiros saem de Paris - contabiliza Francis Richard, diretor-geral da Air France-KLM no Brasil.

Francês instalado no país há cinco anos, Richard é um apaixonado pelo Rio. A companhia registrou crescimento de 30% no mercado nacional em 2004, mesmo percentual do ano anterior. No primeiro semestre, a taxa de ocupação dos vôos diários chegou a 93%. E isso porque, em outubro, a empresa trocou o Airbus 340 que operava na rota Paris-Rio por um Boeing 747, o que representou um aumento de 60% na oferta de assentos.

- A resposta foi muito rápida. É um sinal de que não existe crise no setor aéreo. A crise é de algumas companhias. Crescemos a uma taxa superior à do mercado chinês e três vezes mais do que o argentino e o mexicano - comemora Richard, lembrando que a Air France é a única empresa estrangeira a manter vôos diretos para o Rio, ininterruptamente, ao longo dos últimos 52 anos.

A portuguesa TAP, há mais de três décadas no mercado carioca, também comemora bons resultados em seus sete vôos semanais. O nível de ocupação cresceu de 84%, no primeiro semestre de 2004, para 86%. O Rio responde por 20% do faturamento da empresa no país, onde opera 20 vôos semanais. Este ano, influenciado pelo crescimento da procura pelo Rio, a companhia espera expansão de 15% nos negócios.

- A alta de 6% de passageiros transportados este ano mostra a importância do Rio como porta de entrada do Brasil. Por isso, estamos estudando a criação de novas freqüências. Nunca abandonamos a cidade. Mesmo durante as maiores crises, reduzimos nossa frota, mas nunca desistimos - afirma Mario Carvalho, diretor regional da TAP Brasil.

Nem as 12 horas de viagem desanimam a portuguesa Albina Cordeiro, de 48 anos, que decidiu passar férias no Rio pela sexta vez. Para ela, que ensina francês em Lisboa, as praias e a música animam as férias de qualquer turista.

- O Rio sempre está em festa. Apesar da violência, sempre procuro ir a lugares mais calmos como centros culturais e museus. Mas nunca vou sozinha, sempre vou com meus amigos cariocas. Além disso, é muito barato passear no Brasil. O euro vale quase três vezes mais que o real - explica.

Outra companhia que experimenta bons resultados é a espanhola Iberia. De olho no potencial carioca, a empresa aérea, que opera quatro vôos semanais para o Rio, quer crescer ainda mais. Para isso, investiu US$ 130 milhões numa nova classe, chamada Business Plus, com preços mais baratos. Todas as aeronaves que voam para os países da América Latina, onde a companhia européia é líder, já contam com a novidade. Com isso, a empresa espera alta de 10% até o fim deste ano na ocupação das aeronaves.

Hospedada no Copacabana Palace, a inglesa Monica Sabel, de 45 anos, está passando férias no Rio pela 15ª vez. Desta vez, trouxe o amigo indiano Ashish Sachdava, de 30 anos.

- Adoro o Rio. Porém, não tem vôo direto para cá, mas mesmo assim não desanimo. Faço tudo para estar nas praias daqui e ouvir a música brasileira. Adoro Chico Buarque - disse Monica, que já aprendeu português para aproveitar mais a estada em terras brasileiras.

Mas não são apenas os europeus que desembarcam em peso no Rio de Janeiro. Os americanos, segundo a American Airlines, também estão optando cada vez mais pela Cidade Maravilhosa, mesmo com a valorização de quase 20% do real nos últimos meses.

O número de passageiros transportados pela empresa americana subiu 18% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado nos vôos diários Miami-Rio de Janeiro. No período, o índice de ocupação passou de 76% para 92% este ano. A empresa já planeja cinco vôos semanais extras de dezembro até fevereiro do próximo ano para atender à demanda. Na América Latina, os vôos que chegam ao Rio apresentam a maior taxa de ocupação.

- Não há baixa temporada no Rio de Janeiro desde setembro do ano passado. A estabilidade econômica do Brasil aumentou a confiança entre as empresas. Apesar da alta do real frente ao dólar, ainda continua sendo muito vantajoso viajar para o Brasil. Hoje, o país representa 40% do faturamento da companhia na América Latina - afirma Dilson Verçosa, diretor de vendas e marketing para Brasil e Paraguai.

Curiosidade: Richard, da Air France, ressalta que o Rio está na moda lá fora. Mas não é só destino turístico.

- A indústria do petróleo gera muitos negócios. A maioria dos passageiros é de turistas, mas há uma importante minoria que viaja para o Rio a negócios.