Título: Waldomiro e Cachoeira serão ouvidos na quarta
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Fonte: Jornal do Brasil, 11/07/2005, País, p. A2

A CPI dos Bingos, do Senado, inicia os depoimentos nesta semana. Os primeiros a comparecer à CPI, já na quarta-feira, são Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Waldomiro foi flagrado em imagens, divulgadas há mais de um ano, negociando favorecimento em concorrências em troca de contribuições para campanhas eleitorais. A CPI dos Bingos, no entanto, só foi instalada nos últimos dias, depois que o Supremo Tribunal Federal determinou que o presidente do Senado indicasse seus integrantes. Há ainda uma forte expectativa em torno da criação de uma super CPI, que unificaria as investigações sobre os bingos, os Correios, o IRB e o mensalão. A tese é defendida até por governistas, como o presidente da comissão responsável pela apuração nos Correios, Delcídio Amaral, e o relator, Osmar Serraglio. Nesta CPI, a semana deve ser mais tranqüila que a anterior. De acordo com a agenda, nos próximos dias serão tomados os depoimentos de dois ex-diretores e dois ex-presidentes dos Correios. Além deles, a CPI também quer ouvir o representante legal da Skymaster, uma das empresas que teriam sido beneficiadas em licitações na estatal. O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o secretário-geral da legenda, Silvio Pereira, ambos licenciados, deverão depor nos dias 19 e 20.

Na terça-feira, a comissão abre os trabalhos com os ex-diretores dos Correios Eduardo Medeiros (Tecnologia) e Maurício Coelho Madureira (Operações). Poderão ser votados ainda alguns dos mais de 100 requerimentos acumulados. Quarta-feira, devem depor João Henrique de Souza e Airton Dipp, ex-presidentes da estatal, além do presidente da Skymaster, Luiz Gonçalves. Com depoimentos mais técnicos e de ''menos impacto'', a comissão espera ter tempo para avaliar melhor os documentos que começam a chegar. Até o momento, a CPI dispõe de cópias de contratos dos Correios, dois relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras e do sigilo fiscal de Marcos Valério.

Como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda não foi votada, o que impede que o Congresso entre em recesso, outras duas frentes de investigação continuam trabalhando nesta semana. O Conselho de Ética da Câmara se reúne na terça-feira e deve definir a agenda de depoimentos para agosto. Caso os governistas consigam votar a LDO na quarta-feira, o recesso será decretado a partir da próxima semana. A oposição já anunciou que vai barrar a votação.

Já na Corregedoria da Câmara não há depoimentos marcados para a semana. O relator da sindicância, Robson Tuma (PFL-SP), deve aproveitar os próximos dias para confrontar os depoimentos prestados na Casa, no Conselho e na CPI. Alguns integrantes, no entanto, não descartam a possibilidade de novos depoimentos antes do recesso. No Senado, a representação da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) no Conselho de Ética da Casa contra o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deve ser analisada hoje. O parlamentar ligou o nome de Ideli ao escândalo do mensalão.