Título: Mais acusação contra o PT
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/07/2005, País, p. A2

Uma gravação clandestina divulgada na edição de ontem do Jornal Nacional aponta para o envolvimento do PT num esquema de pagamentos mensais feitos por empresários do Rio de Janeiro. A principal personagem do caso é a auditora fiscal do INSS Maria Auxiliadora de Vasconcellos, presa em maio deste ano sob acusação de corrupção passiva. Segundo denúncia do Ministério Público (MP) Federal, Maria Auxiliadora era presidente de um sindicato, supostamente de fachada, que estabelecia contatos com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para saber quais empresas estariam dispostas a pagar propinas a auditores fiscais para não serem fiscalizadas. A Firjan negou à época a existência de uma ''caixinha'' da federação para os fiscais.

A quadrilha enganava empresários apresentando cobranças de dívidas muito maiores do as existiam. Depois, os auditores negociavam com empresários a suspensão desses débitos em troca de dinheiro.

A gravação da conversa telefônica exibida pelo telejornal data do dia 11 de agosto de 2004 e foi feita pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o episódio das fraudes do INSS. Durante a ligação, a auditora Maria Auxiliadora comenta para outra auditora, identificada como Maria Teresa, sobre uma conversa que teria ocorrido com o ex-ministro da Previdência Almir Lando sobre esquema de pagamento de propinas pela Firjan. A auditora afirma que a federação pagava mensalidade ao PT e que ''Delúbio de Souza Soares'' (ex-tesoureiro do partido) seria o responsável pelo recolhimento.

Maria Auxiliadora também sugere que o esquema teria começado antes da gestão do PT no governo federal e cita o nome dos ex-ministros José Cechin (2002) e Waldeck Ornélas (1998-2001). Os ex-três ministros citados rejeitaram as acusações. Lando afirmou que em sua gestão criou uma secretaria para fiscalizar empresas. A Firjan divulgou nota em que nega a existência de ''caixa 2''. O ex-ministro José Dirceu, também citado, afirmou em nota que nunca ouviu falar sobre o esquema.

O advogado Gentil Silva Júnior, que representa a auditora fiscal Maria Auxiliadora, afirma que a cliente apenas repassou o que vinha escutando.

- Ela não tem prova, tudo que diz na gravação foi informado à juíza que a interrogou.

A auditora foi solta em junho, após ter sua prisão preventiva revogada.