Título: Imã faz ameaça explícita à Itália
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/07/2005, Internacional, p. A7
A possibilidade que homens-bomba fizeram o ataque em Londres e as ameaças de um imã à Itália aumentaram a preocupação européia com o terror.
- Em seis meses, ou até menos, este país sofrerá um ataque químico. É o momento de atingir Berlusconi - ameaçou ontem Abdel Qader Fadlallah Mamour, ex-imã islâmico, seguidor de Osama bin Laden, em uma entrevista concedida a uma tevê no Norte - As cidades candidatas a serem atingidas são Roma, Milão, Bolonha e Veneza e as armas serão não-convencionais como o gás nervino, que as medidas italianas de prevenção não identificam - disse.
Ao responder a pergunta sobre qual organização está preparando o ataque, o líder religioso referiu-se ''às brigadas de Abu Hafs Al Masri'', as mesmas que reivindicaram os atentados de Londres e Madri. Mamour, reconhecendo a existência ''de células dormentes da Al Qaeda'', acrescenta que ''é inútil procurá-los em território italiano, como estão fazendo agora na Inglaterra''.
- Esses homens virão dos Bálcãs, da Alemanha ou da França, de outro modo estarão colocando em perigo quem vive aqui - acrescentou.
A presença de homens-bomba na Europa assusta bastante. Segundo Jeremy Shapiro, diretor de pesquisas do Instituto Brookings, europeus já se envolveram em ataques suicidas no Oriente Médio, mas não se conheciam ações bem sucedidas em território europeu. O efeito principal é o de jogar um manto de invisibilidade sobre as próximas operações da rede, ampliando a sensação de medo.
Até ontem, acreditava-se que as cargas haviam sido acionadas por timers, , dando a entender que teriam sido deixadas nos locais. A descoberta dos documentos dos suspeitos, a confirmação da identidade - e da nacionalidade - mudou a história. Até o uso de um carro alugado, achado em Luton, guarda semelhanças com a ação na Espanha. Naquela ocasião, a polícia descobriu um furgão alugado, com restos de explosivos, perto da estação de Atocha.