Título: Terroristas foram identificados
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 13/07/2005, Internacional, p. A7
A investigação em torno dos atentados em Londres produziu ontem os primeiros resultados concretos. A polícia revelou que foram quatro os terroristas que levaram as bombas até as estações do Metrô e, com base em pistas recolhidas no local, chegou a uma casa na cidade de Leeds (Norte) e a outras três em West Yorkshire, onde pelo menos uma pessoa, parente de um dos acusados, foi presa. Além disso, os investigadores descobriram um carro com explosivos abandonado em um estacionamento ao lado da estação de trens de Luton (50 km a Norte da capital londrina).
De acordo com a Scotland Yard, pelo menos um dos suspeitos seguramente morreu nos ataques (cujo número de vítimas subiu para 52), justamente o que se encontrava no ônibus. Descrições de testemunhas, reproduzidas pelo JB no dia seguinte dos atentados, davam conta de um homem de pele escura que chamou a atenção por mexer a todo momento em uma mochila que levava junto ao chão. A versão corrobora a tese de que a última detonação ocorreu no ônibus em função de a passagem até a estação do metrô nas proximidades ter sido bloqueada.
Os agentes não disseram se os outros três suspeitos teriam se explodido também, mas fontes independentes confirmam a informação. Todos seriam britânicos de origem paquistanesa.
O serviço de Inteligência descobriu, analisando as imagens das câmeras de vídeo, que os terroristas chegaram à estação de King's Cross 20 minutos antes de as explosões começarem. Os homens começaram a ser rastreados depois que a família de Shahzad Tanweer, de 22 anos, denunciou seu sumiço apenas dez minutos após a última carga ter explodido.
Shahzad era um estudante universitário de Ciências e admirador de críquete, segundo a descrição dos parentes. Seus documentos foram encontrados dentro do ônibus, perto de onde estaria a mochila-bomba. Exames de DNA em restos humanos retirados das ferragens fecharam a identificação. Um segundo terrorista, de acordo com informações da imprensa britânica, seria um adolescente.
A operação em Leeds, uma das seis realizadas ao longo do dia, contou com um grande aparato de segurança. Para entrar na casa, que estava vazia, foi detonada uma carga em uma parede. Temia-se que as portas e janelas estivessem ligadas a bombas e os policiais queriam recuperar pistas intactas, principalmente computadores. Em Luton, os agentes também optaram por usar uma explosão controlada para abrir o veículo. As equipes chegaram ao local depois de descobrir que três dos integrantes do comando haviam alugado um carro e seguido para a estação. O quarto homem se reuniu a eles nesse local.
- As investigações estão andando bastante rápido. Queremos agora rastrear o que eles fizeram durante a semana anterior ao atentado - afirmou o chefe da unidade de contraterrorismo da Scotland Yard, Peter Clarke, que não confirmou as identidades dos acusados.
Tanto a região de Leeds quanto a de Luton abrigam uma grande população muçulmana. Na primeira, dos 715 mil habitantes, mais de 30 mil seriam islâmicos, um dos maiores grupos do país. Um contingente formado principalmente por uma comunidade paquistanesa de uma região específica ao Sul de Islamabad, sírios e sauditas. Em maio de 2001, foi um dos locais na Inglaterra onde se registraram violentos confrontos de fundo étnico e religioso entre jovens asiáticos e brancos.
Khalid Muneer, porta-voz da mesquita de Leeds, disse que a comunidade árabe na cidade ficou surpresa com as operações de segurança, que levaram à evacuação de 500 pessoas. Também manifestou preocupação com o fato de os terroristas serem cidadãos com laços no Paquistão que viviam ali.
- Essa conexão nos surpreendeu e nos chocou. Acreditamos que ainda é muito cedo para avaliar o que acontecerá - analisou Muneer, acrescentando que os moradores do bairro não são hostis à política externa de Londres - Não temos visto chamados para a jihad contra as forças dos EUA e inglesas no Iraque e Afeganistão por aqui. Esse sentimento é incomum entre nós.