Título: Após denúncias, diretor do BB pede aposentadoria
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 15/07/2005, País, p. A3

O diretor de marketing do Banco Brasil, Henrique Pizzolato, apontado como o responsável pelo patrocínio do show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano na churrascaria Porcão, em Brasília, no ano passado, pediu ontem a aposentadoria do cargo.

A informação foi confirmada à noite pela assessoria de imprensa do BB. Assume interinamente no lugar de Pizzolato o funcionário de carreira Paulo Rogério Caffarelli. Ele é o atual diretor de logística da instituição e se afastará de sua função para assumir o marketing.

Caffarelli entrou no banco em 1981 e é graduado em direito, com especialização em finanças, direito internacional e comércio exterior.

O episódio do show arranhou a imagem do diretor porque a renda do evento foi revertida para a construção de uma nova sede para o PT, os diretores do BB foram acusados de improbidade administrativa.

Recentemente, Fernanda Karina Sommagio, ex-secretária de Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do mensalão, disse que Pizzolato fazia parte do círculo de contatos que o empresário tinha no governo.

Marcos Valério negou ontem que tenha responsabilidade na operação financeira na qual o ferroviário mineiro Jonas de Pinho teria sacado, em 2003, mais de R$ 152 mil da conta da empresa, na agência Assembléia do Banco Rural, em Belo Horizonte. O ferroviário Pinho, porém, estava morto.

A assessoria de imprensa de Marcos Valério informou que ele não tem responsabilidade sobre os cheques emitidos pela agência, uma vez que ele era um dos sócios da SMPB e não se envolvia diretamente nas operações mais rotineiras da empresa. Os assessores de Valério informaram, também, que quem deve ser o responsável pelo uso do CPF do ferroviário falecido é o seu filho, o autor do saque no caixa da agência do Banco Rural.

A direção da SMPB admitiu que emitiu um cheque ao portador, em meados daquele ano, no valor de R$ 152.653,00 a uma produtora de vídeo, que teria contratado uma terceira empresa para realizar o serviço. O nome da produtora de vídeo contratada não foi revelado pela agência de publicidade mineira.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue à Comissão Parlamentar Mista dos Correios informa que o valor foi sacado por um cidadão que apresentou o CPF do ferroviário mineiro Jonas de Pinho. O saque foi realizado no dia 16 de julho de 2003, cerca de três anos e sete meses após a morte do ferroviário, aos 81 anos. O sacador se apresentou como Jonas de Pinho.