Título: Valério quer contar tudo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 15/07/2005, País, p. A3

Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador financeiro do mensalão, esteve ontem na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, para propor um acordo. Segundo fontes do Ministério Público Federal, Valério quer revelar o que sabe sobre envolvimento de políticos em esquemas financeiros, inclusive lavagem de dinheiro. Em troca, pede a redução de pena em caso de condenação. Ele teria contado a procuradores que tem farta documentação escondida em pastas que foram enterradas em uma fazenda.

Acompanhado de dois advogados, ele conversou por mais de oito horas com o procurador-geral Antônio Fernando de Souza e pediu ainda proteção policial.

Valério esteve na procuradoria horas depois de a corregedoria de Minas Gerais flagrar, em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte), um policial civil aposentado com documentos contábeis parcialmente queimados da DNA, uma das empresas de Marcos Valério. Os documentos estavam em dois tambores. A polícia apreendeu outros papéis da empresa guardados em caixas.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público de Minas Gerais, o carcereiro aposentado Marco Tulio Prata trabalhou para Marcos Valério e é irmão do contador da DNA, Marco Aurélio Prata, proprietário do escritório Prata e Castro Associados.

Também foram encontrados na casa do carcereiro pelo menos 16 armas de diferentes calibres, entres elas pistolas pt.380 e pt.40. Todas estavam escondidas em um fundo falso em um dos armários da casa de Túlio.

- Havia dois latões, tipo barril de petróleo, até à metade com papéis carbonizados, visivelmente identificados como sendo da DNA - disse o delegado.

A operação foi desencadeada para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra o carcereiro aposentado, que era suspeito de esconder armas em sua casa - e outro de prisão preventiva. Pratinha, como é conhecido o carcereiro aposentado, é acusado de homicídio doloso. De acordo com a polícia, no ano passado Túlio atirou em um rapaz que se envolveu em uma briga com seu filho.

O advogado da DNA Propaganda, Ildeu Cunha Pereira, afirmou que aguardaria a polícia concluir o auto de apreensão dos documentos para se pronunciar. Já o advogado de Marco Túlio, José Arteiro Cavalcante, disse que o ex-policial contou que seu irmão, o contador Marco Aurélio Prata, deixou as caixas com notas fiscais na semana passada em sua casa e que uma diarista teria queimado os papéis por engano.

- O carro do irmão de Marco Túlio deu problema perto de Contagem. Ele deixou as notas lá na casa dele (Túlio) e não foi mais buscar. A diarista queimou as coisas (as notas) - disse Arteiro Cavalcante.

Quatro parlamentares que integram a CPI que investiga as denúncias de corrupção nos Correios viajaram ontem para Minas para analisar os documentos.