Título: Governo impede quebra de sigilos
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/07/2005, País, p. A3
O governo impediu ontem a votação, na CPI dos Correios, da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do PT, da cúpula do partido e do empresário Mauro Dutra, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da convocação do secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e do ex-presidente petista José Genoino. O ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-secretário-geral Silvio Pereira, Genoino e o PT já autorizaram as quebras de sigilo, mas a oposição queria votá-las, alegando ser uma segurança jurídica.
Após a aprovação de 11 quebras de sigilo consensuais, a oposição apresentou um pedido de inversão de pauta para votar 85 requerimentos polêmicos, entre eles as quebras de sigilo da cúpula petista. A tropa de choque do governo derrotou a proposta por 15 a 11.
- Vamos votar e cada um coloca a sua cara, a sua digital. Quero o jogo às claras - disse o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), defendendo que o governo derrubasse os requerimentos em vez de impedir sua entrada na pauta:
- É a primeira vez que o governo assume a operação abafa - disparou.
Após a vitória governista, a CPI voltou a apreciar requerimentos em torno dos quais havia acordo, aprovando 37 deles. Ao esgotá-los, os governistas impediram a votação da pauta polêmica, apresentando um requerimento de inversão de pauta, que não chegou a ser votado. A sessão foi suspensa devido ao acirramento dos ânimos, quando a discussão entre o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e o senador Sibá Machado (PT-AC) caminhava para a agressão. Faria insistia que a assinatura de Silvio na autorização de quebra de sigilo era falsa e o texto enviado por Dirceu não permitiria a abertura das informações.