Título: A lista milionária de Delúbio
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/02/2005, País, p. A3

Marcos Valério, o suposto operador do esquema de mesadas a parlamentares, afirmou ontem ter feito vários empréstimos ao PT em nome de suas empresas. O dinheiro, segundo ele, era sacado dos bancos por pessoas indicadas pelo ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares. Alegando, no entanto, o acordo de sigilo com a Procuradoria-Geral da República, ele não citou os nomes dessas pessoas: - Foi um pedido, o PT estava com muitas dificuldades financeiras. Os saques eram a pedido do tesoureiro, sempre indicando quem deveria sacar - disse Valério em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, e também através de nota que emitiu ontem à noite (veja íntegra abaixo).

A orientação para contrair os empréstimos junto aos bancos também vinha de Delúbio, segundo revelou Valério que nesta semana teria tido um desentendimento com o ex-tesoureiro, de quem era amigo.

- O montante total do empréstimo foi repassado ao PT, na figura do tesoureiro, de pessoas que ele indicava - afirmou Valério que não forneceu os valores dos empréstimos e disse que as operações não se relacionavam ao suposto esquema do mensalão.

- Nunca foi relacionado a nenhum mensalão eram dívidas que vinham do passado e preparação a campanha eleitotal de 2004 - acrescentou o empresário, que é sócio das agências SMP&B e DNA, sediadas em Minas Gerais.

As revelações de Valério aconteceram horas depois de Delúbio Soares ter deixado a sede da Procuradoria-Geral da República. Assim como Valério fez na véspera, Delúbio foi espontâneamente conversar com o chefe do Ministério Público, Antonio Fernando Souza.

Até agora, o PT reconhece que Valério foi avalista em dois empréstimos em nome do partido, de R$ 2,4 milhões junto ao banco BMG, e de R$ 3 milhões junto ao Banco Rural, ambos contraídos em 2003. Valério chegou a pagar R$ 351 mil reais de uma parcela ao BMG que ainda não foi saldada pela legenda. Na renovação dos dois créditos, segundo o PT, o publicitário deixou de ser fiador.

- Esperei um tempo para me pronunciar porque as pessoas que me pediram (para fazer os empréstimos) é que tinham de se pronunciar - afirmou, explicando que, com a crise gerada pelas denúncias, seus interlocutores deixaram o partido e, assim, ele decidiu falar.

Valério também divulgou nota sobre os empréstimos, com menos detalhes do que forneceu na entrevista. Em reunião no Ministério Público, quinta-feira, ele pediu para obter redução de pena, caso resolvesse colaborar com as investigação, mas o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não vai atender ao pedido. Ele pode ser processado e condenado por supostos crimes de corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, entre outros, mas de acordo com a assessoria do procurador-geral da República, não se pode dizer se Marcos Valério será tratado no processo como futuro ''réu colaborador''. Valério não pode ainda ser enquadrado em nenhum desses caso de réu colaborador.