Título: Empresa reduz em 80% pedido de empréstimo
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 17/07/2005, Economia & Negócios, p. A17

Depois de promover palestras sobre planejamento financeiro, a Schering-Plough identificou uma queda de 80% nos pedidos de empréstimos.

- Eles aprenderam a equilibrar receitas e despesas e descobriram a importância de planejar os gastos - atesta Alberto Gerhardt, gerente de recursos humanos do laboratório.

Para tornar possível um dos ensinamentos - trocar dívida cara por outra com juros menores -, a Schering-Plough fez convênio com um banco para concessão de empréstimo consignado a juros de 2% ao mês.

O técnico de segurança de trabalho Averaldo Brito, de 42 anos, estava com dívidas superiores a R$ 4 mil, em três empréstimos e no cheque especial.

- Tenho dois filhos de outros casamentos, uma filha e uma enteada e minha esposa não trabalha. Com a entrada da minha filha menor no colégio, meu endividamento piorou. É claro que a gente pensa nas dívidas durante o trabalho. Estava pagando juros muito altos. Depois do curso, peguei um empréstimo que pagarei em 24 prestações de R$ 334 para quitar todas as dívidas. Agora, consigo viver com meu salário e tenho até levado minha mulher ao teatro, coisa que não fazia há muito tempo. Meu plano para quando terminar de pagar o empréstimo é economizar para comprar uma casa. A empresa nos proporcionou uma lição de vida.

Depois do curso, tornou-se comum no pátio da Schering-Plough a cena de funcionários às voltas com planilhas - a principal ferramenta no controle orçamentário - anotando todos os gastos. Caso da auxiliar de laboratório Marilza Teixeira, de 44 anos, que se considerava uma pessoa controlada, mas sonhava com uma sobra no salário para investir na educação da filha de 17 anos.

- Além de economizar, aprendi a negociar. Foi assim que consegui matricular minha filha num curso pré-vestibular, que eu não tinha condições de pagar. Também negociei com o cartão de crédito e troquei o celular de conta por um de cartão. Passei a economizar R$ 100 por mês, 10% do meu salário, que usarei para pagar a faculdade da minha filha. E ela tem aprendido comigo. O que ela gasta também anota numa planilha - conta. (S.L.)