Título: Se depender do PT, Valério ficará no prejuízo
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/07/2005, País, p. A2
O secretário nacional de Comunicação do PT, Humberto Costa, revelou ontem que o Partido dos Trabalhadores poderá deixar de pagar os débitos que não estejam regulares, documentados e registrados nos arquivos.
- Só podemos assumir as dívidas que estejam escriturada, registrada em documentos interno do PT. Não vejo como é que vamos poder tratar de uma dívida que não tem nada no papel - disse o ex-ministro da Saúde, em Recife.
Se concretizada, a medida atingiria os supostos credores que teriam abastecido o PT de forma clandestina para financiar campanhas e pagar parlamentares em troca de apoio ao governo, entre eles Marcos Valério Fernandes de Souza.
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares estimou ter recebido, só de Marcos Valério, entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões na forma de empréstimos aos cofres do partido, mas sem documentação.
Esse valor, entretanto, corresponde a cerca de 50% do débito calculado pela nova cúpula petista, de R$ 20,4 milhões, mais juros e multas. Corrigido, o rombo estaria hoje em R$ 30 milhões.
O ex-ministro admitiu que a crise envolvendo o Partido dos Trabalhadores e Congresso ''resvala no governo, indiretamente''
- Acho que a população está sendo inteligente em identificar que nem Lula nem o governo têm envolvimento direto com essas denúncias que estão sendo feitas - disse.
Humberto Costa disse que o saneamento das contas do PT será discutido amanhã em São Paulo, em reunião dos novos caciques da legenda.
- Vamos ter que discutir isso, até porque a gente não sabia dessa dívida, não estávamos informados e temos que decidir em conjunto os próximos rumos a serem tomados. A nova executiva precisa se informar, saber o que aconteceu e porque aconteceu.
Ainda segundo o ex-ministro da saúde Humberto Costa, na mesma reunião os líderes petistas também deverão se posicionar sobre a suspeita da existência de uma ''Operação Uruguai 2'' no partido - uma alusão a um empréstimo de US$ 3,75 milhões no país vizinho, usado pelo ex-presidente Fernando Collor para justificar seus rendimentos e alto padrão de vida, em 1992.
O ex-ministro, que comemorou ontem no clube Náutico seu 48º aniversário, disse que ficou ''perplexo'' com as declarações de Delúbio sobre a existência de um caixa 2 para financiar as campanhas eleitorais do PT. E negou que, em 2002, tenha recebido verba irregular quando disputou o governo de Pernambuco.
Sobre rumores de que a oposição estaria articulando um pedido de cassação do registro do PT, Humberto Costa afirmou que não acredita nesta possibilidade.
- Isso aí certamente pode ser alguma tentativa de alguém querer, no tapetão, tirar o PT das disputas políticas. É uma coisa inaceitável.
Costa pediu pressa nas investigações pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios e afirmou que uma eventual tentativa de prolongar as analises e a apuração afetaria a credibilidade da comissão.
- O que todo mundo quer é o esclarecimento e a verdade, não a transformação da CPI num palco de disputa política. Se isso acontecer, a CPI corre o risco de perder a sua origem. A tendência de querer prolongar além do necessário ou fazer disputa política enfraquece a comissão.
O presidente nacional do PT, Tarso Genro, confirmou que os assuntos envolvendo Marcos Valério e Delúbio Soares serão discutido na reunião de amanhã na Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.
- Só assim manifestaremos um um juízo sobre o assunto.
Em nota divulgada no sábado, o presidente nacional do PT, informou que a direção do partido tomou conhecimento das declarações do ex-tesoureiro e garantiu que a direção do partido irá colaborar para que todas as questões que envolvem denúncias de que o PT está sendo alvo sejam rigorosamente apuradas em todos os detalhes.
- Queremos os esclarecimentos para avaliação.