Título: Oposição vai à Justiça contra o PT
Autor: Paulo de Tarso Lyra e Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 19/07/2005, País, p. A3

A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Fantástico, na qual admitiu que ''o que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito sistematicamente no Brasil'', referindo-se às denúncias de um caixa 2 petista, enfureceu a oposição. PFL e PSDB protocolaram ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação propondo o bloqueio do fundo partidário do PT, estimado para este ano em R$ 35 milhões. A denúncia de que uma das garantias dadas por Marcos Valério Fernandes de Souza para avalizar um dos empréstimos junto ao BMG seria o contrato com os Correios azedou ainda mais o clima no Congresso. - Fundo partidário é dinheiro público, vindo dos impostos. Vamos tirar o dinheiro público desse lamaçal em que se encontra o país - justificou o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN).

O documento se baseia no artigo 3, inciso primeiro, da Lei Orgânica dos Partidos. Agripino alega que Valério não poderia fazer empréstimos ao PT porque uma das empresas do publicitário tinha contrato de prestação de serviços com o governo. O pefelista se refere especificamente ao contrato com os Correios.

O pefelista afirmou ter ficado inconformado com a ''falta de indignação do presidente Lula diante das denúncias de corrupção que assolam o governo''.

- Será que eles pensam que eu sou bobo? Eles estão com o claro objetivo de transferir a discussão penal para o eleitoral - acusou o pefelista.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio, afirmou que além de suspender os repasses do fundo partidário, será necessário colocar sub judice os mandatos dos suspeitos de receber dinheiro do caixa 2 nas eleições de 2004.

Ontem, o deputado Ônyx Lorenzoni (PFL-RS) teve acesso aos documentos enviados pela Procuradoria-Geral da República à CPI dos Correios e relatou que há um novo empréstimo feito em nome das empresas de Marcos Valério que tem como garantia uma conta de publicidade com a Eletronorte, esquema idêntico ao divulgado pela Folha de S. Paulo que envolve um contrato com os Correios.

Integrante da CPI dos Correios, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) acredita que as entrevistas de Marcos Valério, Delúbio Soares e o próprio Lula abriram um novo canal de investigações: as relações entre os contratos firmados pelas empresas de Valério e os empréstimos destinando verbas para o Partido dos Trabalhadores.

- Isso pode colocar novas pessoas no olho da crise. Os bancos BMG e Rural investiram pesado nos fundos de pensão, área diretamente ligada a Luiz Gushiken - reforçou Fruet.

Até mesmo os petistas tiveram dificuldades para sustentar as versões do caixa 2, batizadas pela oposição de ''Operação Paraguai'' - numa referência jocosa à Operação Uruguai arquitetada durante o governo Collor.

Outro integrante da CPI dos Correios, o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) acredita que existem muitos pontos obscuros que precisam ser explicados. Para o petista, não está claro quem recebeu os repasses de campanha, se eles são frutos apenas de empréstimos, se alguém da direção partidária teve conhecimento do acordo Delúbio-Valério.

Outro petista, que não esconde o incômodo com a situação, dispara.

- Dizer que todos os petistas, menos Lula, receberam dinheiro do caixa 2, a intenção de Delúbio é jogar pressão sobre os candidatos majoritários em 2002, como Tarso Genro, novo presidente do PT - suspeita o parlamentar.

Ex-líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA), acredita que a seqüência de entrevistas compõem uma trilogia e lembrou ''O Poderoso Chefão 1, 2 e 3''.

- Vocês conhecem alguém que emprestaria tanto dinheiro sem garantia? É formação de quadrilha e corrupção dentro do governo.