Título: Jucá vai compor CPI do Mensalão
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/07/2005, País, p. A5
O senador Romero Jucá (PMDB-RR), de saída do Ministério da Previdência Social, foi indicado para compor a CPI Mista do Mensalão, que vai investigar as denúncias de recebimento por parlamentares de mesada do PT. Jucá é investigado sob acusação de desviar dinheiro público. Ele já anunciou sua saída do ministério e conseqüente retorno ao Senado, o que deve ser formalizado pelo governo ainda nessa semana.
Jucá será um dos 36 membros da CPI, que pode ser instalada hoje. Em sessão às 11h, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lerá os nomes dos indicados e marcará o horário para a primeira reunião, para escolha do presidente e do relator. As vagas não preenchidas serão indicadas por Renan. A expectativa é de que um senador da bancada governista assuma a relatoria, e a presidência fique com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
A CPI do Mensalão nasceu de um acordo entre governo e oposição. O PT aceitou a investigação do mensalão desde que fosse colocado no pacote a apuração da compra de votos para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Governistas têm, em tese, 20 dos membros da CPI, contra 12 da oposição
Entre os indicados pelo PMDB no Senado figura outro que ocupou a pasta da Previdência, Amir Lando. Os outros nomes peemedebistas são os senadores João Batista Motta e Wellington Salgado. A oposição indicou alguns de seus principais nomes no Senado, entre eles o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e Romeu Tuma. A bancada governista colocou representantes da ''tropa de choque'' do Planalto, principalmente da Câmara. Foram indicados os deputados petistas Odair Cunha, Paulo Pimenta e Professor Luizinho, ex-líder do governo na Casa.
Jucá ficou pouco mais de quatro meses como ministro depois de sofrer desgaste com uma série de denúncias. O STF investiga Jucá por supostas irregularidades no empréstimo concedido à empresa Frangonorte. A empresa pertenceu a Jucá de 1994 a 1997. O Banco da Amazônia cobra uma dívida de R$ 25 milhões do Fundo Constitucional do Norte. O valor vem de recursos públicos.