Título: Contradição ao falar de empréstimo
Autor: Fernando Exman
Fonte: Jornal do Brasil, 20/07/2005, País, p. A3

- O ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira, negou ontem durante seu depoimento à CPI dos Correios que tivesse conhecimento dos empréstimos feitos pelo partido junto aos Bancos do Brasil, BMG e Rural, bem como os empréstimos firmados por Marcos Valério Fernandes de Souza para ajudar o partido. Em depoimento à Procuradoria Geral da República, Valério confirmou que Silvio Pereira e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, sabiam da operação. Ontem, a oposição mostrou que a assinatura de Silvio aparece no balanço de contas petistas de 2003 e 2004, nos quais constam os empréstimos firmados. O PT contraiu vários empréstimos junto a instituições bancárias que totalizam R$ 27,56 milhões. No Banco do Brasil, os valores atualizados são de R$ 19,29 milhões. No BMG, foram obtidos R$ 2,74 milhões. E no Banco Rural, mais R$ 5,30 milhões. Além destes, o PT acabou sendo beneficiado por outros seis empréstimos feitos por Valério, totalizando hoje R$ 93,41 milhões.

A movimentação no Rural, acusado de ser o banco onde se pagava o suposto mensalão, gerou mais uma suspeita: o partido abriu uma conta do Rural em Belo Horizonte - cidade onde ficam as empresas de Marcos Valério.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) estranhou outro fato: o PT emprestou dinheiro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o deputado José Dirceu e para o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

De acordo com o livro-razão do partido, o presidente renegociou, em 30 de dezembro de 2003, dois empréstimos, num total de R$ 29,43 mil, depositou R$ 12 mil e prometeu pagar o restante em quatro vezes. O Planalto não se pronunciou. Dirceu e Mercadante afirmaram que as dívidas referem-se a gastos de viagens pelo partido, mas que já foram quitadas.