Título: Emprego com carteira desacelera
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 20/07/2005, Economia & Negócios, p. A19

Manter uma média de 100 mil novos postos de trabalho por mês é a meta do governo para a geração de empregos até o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo, distante da promessa de criar 10 milhões de vagas em quatro anos, foi lançado como desafio pelo novo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante a apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho. Assim, se cumprir o objetivo, o governo ficará na metade do caminho previsto e gerará 4,934 milhões de novos postos de trabalho formal até o fim de 2006. No mês passado, o índice mostrou desaceleração na geração de empregos pelo segundo mês consecutivo. Anunciado pelo ministério como o segundo melhor resultado para junho na série histórica do cadastro, o saldo de 195.536 novos postos de trabalho representa cerca de 12,3 mil a menos do que o registrado em junho de 2004. O principal motor da geração de empregos foi o setor agropecuário, responsável por 80 mil novas vagas - recorde da atividade para esse período - seguido dos setores de Serviços (46,6 mil vagas) e Comércio (32,1 mil).

No acumulado de janeiro a junho também é possível verificar a desaceleração na geração de novas vagas. Em 2004, 1,034 milhão de postos de trabalho foram gerados nesse período. Neste ano, foram 966 mil as vagas criadas nos primeiros seis meses.

Mesmo com a queda registrada em relação ao mesmo período do ano passado, o ministro Luiz Marinho vê no resultado um sinal de crescimento da economia.

- Fixamos a meta de 100 mil empregos por mês como forma de anunciar para a sociedade uma notícia de esperança, uma mostra de que acreditamos no crescimento da economia - disse Marinho.

Ele reconheceu o peso da desaceleração do mercado de trabalho, mas sustentou que o dado não indicaria a estagnação da economia, e sim um simples desaquecimento. E disse considerar ''viável'' o cumprimento da promessa de campanha de Lula, a marca de 10 milhões de novas vagas criadas até o final de 2006.

- Se forem contabilizados os empregos informais, é possível sim - ressalvou Marinho.

Até junho deste ano, o governo Lula gerou 3,134 milhões de novos postos de trabalho formal.

A conjunção de uma seqüência de nove elevações consecutivas da taxa básica de juros, mais o câmbio desfavorável para as exportações, é apontada pelo ministro como a principal razão para a queda nos índices de geração de emprego. Prova disso seria o baixo desempenho dos setores industriais movidos pelo mercado externo.

Para Marinho, o aumento da criação de vagas será possível a partir do relaxamento da política monetária, com a queda da taxa básica de juros, hoje em 19,75% ao ano.

Nos resultados por região, o Sudeste aparece com o maior número de postos criados no último mês (142 mil), enquanto a região Sul apresentou o resultado mais baixo do país, com apenas 7,1 mil novas vagas.