Título: Daniel Dantas: R$ 127 milhões pagos para a DNA
Autor: Hugo Marques e Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 28/07/2005, País, p. A4

A CPI dos Correios já identificou R$ 126,7 milhões em pagamentos das empresas do banqueiro Daniel Dantas - dono do Grupo Opportunity - para a DNA propaganda, de Marcos Valério Fernandes de Souza, nos últimos 5 anos. Os parlamentares suspeitam que Dantas possa estar envolvido com o pagamento do mensalão e querem convocar o banqueiro para fornecer explicações.

Os depósitos das empresas ligadas ao Opportunity - Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom - eram feitos diretamente nas contas da DNA, no Banco do Brasil, por transferências eletrônicas. Um balanço feito pela CPI dos Correios mostra o volume de transferências para a DNA mês a mês, mas ainda não contabiliza eventuais depósitos nos bancos Rural, BMG e BRB. Os parlamentares informaram que ainda não foram contabilizados o total de depósitos feitos em nome da SMP&B e da Multi Action, conforme membros da CPI divulgaram esta semana.

Os maiores depósitos foram feitos em favor da Telemig Celular, que sozinha foi responsável por mais de R$ 90 milhões em depósitos nas contas da DNA. A Telemig Celular tem contrato de publicidade com a DNA, mas as somas chamam a atenção dos parlamentares. Dantas seria o maior credor privado de Valério.

Só uma das contas da DNA no Banco do Brasil recebeu R$ 18 milhões entre 2003 e 2004. Este ano, a DNA recebeu da Telemig R$ 13 milhões. Entre 2002 e 2003, outra conta da DNA recebeu R$ 22,5 milhões da Telemig.

Entre outros depositantes na conta da DNA Publicidade estão a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (R$ 44 milhões), a Fiat (R$ 8,47 milhões), Centrais Elétricas do Norte (R$ 27,5 milhões).

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que serão tabulados todos os valores depositados pelas empresas de Daniel Dantas em favor das empresas de Marcos Valério. O relator afirmou que vai pedir todas as cópias de contratos das empresas de Marcos Valério com as telefônicas.

- Vamos requisitar os contratos de prestação de serviços vamos verificar se foram cobrados valores de mercado - avisa o relator.

O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentou ontem requerimento para a convocação de Dantas e do dono do banco BMG, Ricardo Guimarães. Segundo Pompeo, é necessário esclarecer as transferências destas ''altas somas'' para as contas de Valério.

- Esperamos que o Dantas venha depor na CPI. Financiamento sem garantia real, sem lenço nem documento, é preciso esclarecer - disse Pompeo.

O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), também quer esclarecimentos sobre empresas e pessoas que depositaram dinheiro nas contas das empresas de Valério. Segundo ACM Neto, a CPI vai levantar os depósitos que beneficiaram Valério.

- O caminho agora é esse, as empreiteiras e os banqueiros - afirmou.

O senador César Borges (PFL-BA) afirmou que é necessário confrontar a prestação de serviço de Marcos Valério para as empresas de telefonia. Para o senador, isso poderá revelar se o serviço prestado valeu ou não o que foi depositado nas contas de Marcos Valério.

Em nota, a Telemig Celular e a Amazônia Celular repudiam veementemente as notícias ''infundadas e distorcidas'' veiculadas na imprensa e esclarece que a DNA tem contrato com a Telemig Celular desde 1998 e com a Amazônia Celular desde 2001, enquanto a SMPB foi contratada pelas companhias a partir de 2001.

Dos investimentos em marketing, aproximadamente R$ 112 milhões na Telemig Celular, no período de 2000 até o primeiro trimestre de 2005, e R$ 33 milhões na Amazônia Celular, de 2001 ao primeiro trimestre de 2005, foram contratados via DNA e SMPB, principais agências de publicidade das Companhias.

A empresa diz ainda que como é de praxe no mercado publicitário, estes pagamentos, por obrigação contratual, são repassados pelas agências aos veículos de comunicação e outros fornecedores.

A Visanet aparece como depositante de R$ 44 milhões. Segundo a empresa, o valor é referente a pagamentos à DNA em ''ações de marketing para lançamento de novos produtos, incentivando a emissão de cartões de crédito e débito do BB''. A assessoria da Fiat informou que teve contrato com a empresa de Valério de agosto de 2000 a abril de 2005 para ''prestação de serviços de publicidade de varejo da montadora em Minas''. Citada como depositante de R$ 401 mil, a Construtora Norberto Odebrecht informou que pagou pela divulgação de empreendimentos imobiliários.