Título: Guardian demite jovem ligado a extremistas
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/07/2005, Internacional, p. A7

O trainee Dilpazier Aslam, de 27 anos, teve seu contrato com o jornal britânico The Guardian rescindido na sexta-feira. Segundo informações do próprio jornal, a medida ocorreu após o veículo tomar conhecimento da participação de Aslam no grupo político Hizb ut-Tahrir. Em um comunicado, o Guardian afirma acreditar que ''seu status de membro da organização é incompatível com a sua continuidade como funcionário da empresa''.

De acordo com o anúncio, o prestigiado diário pediu a Aslam que deixasse de ser membro do grupo, o que foi recusado pelo trainee.

''O Guardian respeita seu direito de tomar essa decisão, mas infelizmente conclui que, com isso, não resta outra opção a não ser rescindir o contrato de Aslam com a empresa'', acrescenta a nota.

A polêmica teve início após a publicação de uma matéria escrita pelo trainee no jornal, no início de julho, no qual comentava os atentados em Londres no dia 7, que mataram 52 pessoas. No comunicado, o Guardian ressalta que ''a filiação de Aslam ao Hizb ut-Tahrir é mencionada no final de seu artigo''. Após a publicação, muitos leitores teriam enviado e-mails criticando a filiação do empregado ao grupo. Uma errata sobre o assunto será publicada na seção de Erratas e Esclarecimentos do jornal.

O diário afirma que desconhecia a filiação de Aslam na organização política. Colegas dizem, no entanto, que ele não fazia segredo sobre isso na redação.

O The Independent publicou ontem uma matéria divulgando que Aslam deve tomar medidas legais contra o Guardian, devido à rescisão contratual. Ainda de acordo com o Independent, a organização Hizb ut-Tahrir, embora seja banida em vários países europeus, não é violenta e é legal no Reino Unido. Mas na avaliação do Guardian, trata-se de uma organização anti-semita.

O Hizb ut-Tahrir, ou Partido da Libertação (Islâmica), rejeita a democracia e que restabelecer um califado, um super-Estado muçulmano que governe o Oriente Médio, o Norte da África, a Espanha e a Indonésia.

- Sentimos as injustiças contra os maometanos do mundo. Somos uma das organizações mais abertas e diretas do mundo - afirmou o líder australiano do partido, Wassim Doureihi, ao jornal The Age. No entanto, Doureihi se recusou a revelar quantos membros o Hizb ut-Tahrir tem atualmente.